terça-feira, 19 de julho de 2011

Voando sem Segurança

Se tem uma coisa na vida que me choca e me abate, posso garantir que é o tal do acidente aéreo. Talvez porque uso muito este tipo de meio de transporte, não sei bem... Ou então, pelas conseqüências trágicas em que resultam e tomo conhecimento. Na semana que passou senti, mais uma vez, a sensação de insegurança para voar, até porque dois dias depois do acidente da NOAR, aqui no Recife, tive que embarcar rumo à cidade de Fortaleza (CE) e de lá retornar antes do fim de semana.
Eu sempre digo, com alguma convicção, que não tenho medo de avião. Aparentemente não tenho. Entro e desembarco, em qualquer um, com muita facilidade. Mas, na verdade verdadeira, sempre peço a Deus, com muita fé, por uma viagem tranqüila. E quando o avião toca em solo firme digo sempre: Deo gratias! (graças a Deus)
Estes dias estive pensando que, no passado recente, vem ocorrendo relativamente muitos acidentes aéreos. Nem falo de aviões de pequeno porte, inclusive helicópteros, que toda semana cai algum, Brasil afora, e passam despercebidos pelo grande publico. Falo, mesmo, é dos grandes desastres: Fokker 100, da TAM, em cima da cidade em São Paulo ao decolar em Congonhas, ainda na década de 90; o avião da Gol “atropelado” por um jatinho particular irresponsável; o espantoso acidente da TAM, também, que derrapou na pista de Congonhas (São Paulo), quatro anos atrás, explodindo nas instalações da própria companhia no outro lado da avenida subjacente à pista; o terrível acidente com o avião da Air France que mergulhou, aqui defronte, no Atlântico e, por fim, esta semana, o aviãozinho da NOAR que se estraçalhou e explodiu em plena cidade, num dos bairros mais populosos do Recife. Teve outro, que não faz muito tempo, também, de uma banda de música brega que desabou sobre o bairro do Engenho do Meio (Recife), espalhando pânico nos moradores.
Quantas vidas forma ceifadas em questão de minutos! Eu não saberia calcular o número de vitimas fatais dessas catástrofes. O que sentiram? Como encararam a morte inevitável? Será que sentiram a chegada da maldita? Isto ninguém sabe e nem pode avaliar. Por outro lado, impossível contar as vitimas que ficam chorando seus mortos! A meu ver, são as maiores e mais sofredoras.
Falha humana ou da maquina são as mais comuns das explicações. O abominável motivo da manutenção relaxada das aeronaves e a pressão das empresas para colocar no ar aviões sem condições técnicas, mesmo sob protestos do comandante escalado, a cata do vil metal é doloroso e frequente explicação. Tem coisa pior? Lembro que o avião da TAM que explodiu nas dependências da própria empresa voou sem condições mecânicas. Num país mais rigoroso uma empresa como essa teria sua licença cassada. Na China, por exemplo, foi assim. Depois de vários e terríveis acidentes, algumas empresas foram banidas dos céus e as que sobraram vivem debaixo de rigoroso sistema de fiscalização técnica. Na África, algumas companhias aéreas não têm permissão de voar para ou na Europa e Estados Unidos, por total falta de condições técnicas. São essas coisas que assustam pobres mortais, quem nem eu.
No Recife, depois do desastre desta semana um novo debate cresceu e nem tão cedo será esquecido: a localização do aeroporto dos Guararapes. Inaugurado pelo Governo JK (década de 50) e construído aproveitando a pista deixada pelos americanos, na época da 2ª. GG no subúrbio do Ibura, era uma localização privilegiada, em face da ausência de aglomerados urbanos ao seu redor. A cidade cresceu e hoje sufoca a pista e a estação de passageiros. (Vide Foto acima). Os aviões modernos, mais possantes e mais pesados descem no Recife quase tocando as casas e prédios da região. O aeroporto de São Paulo/Congonhas é outro absurdo. Nem é bom falar. Dá medo daqueles que a gente nordestina chama de medo medonho. Lisboa (Portugal) é outra cidade que tem aeroporto dentro da área urbana. Há outros que são no meio do mar como o Santos Dumont, no Rio, o Osaka- Japão (Vide foto a seguir) e Hong Kong – China. São aeroportos como esses que assustam uma cidade a toda hora. No caso de acidente, nos momentos de decolagem ou aterrissagem, não tem apelação. Mata quem é passageiro, mata quem está em terra e mata do coração quem assiste.

Está na hora de se pensar numa norma internacional que obrigue a localização de aeroportos bem distantes das zonas urbanas e que nada mais seja construido no seu entorno. No Recife e em São Paulo (Congonhas) medidas devem ser tomadas para afastar os riscos de tragédias maiores. O comandante do avião da NOAR, entre os mortos do acidente, foi um herói ao evitar a queda sobre uma casa ou se estraçalhar de encontro a um dos muitos edifícios da região que caiu. A coisa teria sido mais trágica. Diante disso, Deo gratias! NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Brasil Desindustrializado (Breve)

Na semana passada vi num jornal de economia, editado em São Paulo, uma noticia muito preocupante: os metalúrgicos das grandes montadoras de veículos brasileiros cruzaram os braços por dois dias. Dessa vez, não estão querendo aumento de salários, redução de jornada ou algo corriqueiro. Pasmem, estão reivindicando algo inusitado: o fortalecimento da indústria nacional. O argumento tem sua lógica e decorre do visível processo de desindustrialização do país. A moçada do chão de fábrica, no ABC paulista, está se pelando de medo de que as montadoras resolvam mudar, de vez, suas plantas para a China, onde o custo da produção é infinitamente menor. Segundo o noticiário, um líder sindical paulista, que voltou recentemente de uma visita a matriz da Wolkswagen teme que a empresa passe a importar invariavelmente itens produzidos na China. “Um terço da produção mundial da Volks já está na China e a tendência é chegar rápido à metade”. O tal sindicalista vaticinou que “aí, não sobrar sequer parafusos pra gente apertar”. O rapaz tem toda razão e o Governo brasileiro precisa abrir os olhos. D. Dilma tem que agir rápido.
Uma das coisas que constatei, numa recente viagem à China e visitando a monumental Feira de Cantão, é que os chineses estão empenhadíssimos em duas coisas: primeiro, acabar de vez com a péssima fama de que todo produto chinês é mal-acabado de baixa qualidade e, em segundo lugar, estabelecer parcerias com empresas estrangeiras para produzir na China. Claro que por trás disso está o compulsivo objetivo de vender, cada vez mais. Eles têm a “faca e o queijo” nas mãos, por conta dos assombrosos baixos custos da produção. Haja competitividade. Não é mesmo? E, para competir com eles, só a eles se juntando. Meio mundo já descobriu esse “pulo do gato”.
Na indústria automobilística essa coisa está dando certíssimo. É impressionante, por exemplo, a beleza e qualidade dos veículos da Great Wall. Parei diante do estande da empresa, na Feira de Cantão, e mal pude acreditar. Pense num troço deslumbrante. O acabamento interno do modelo exposto, em couro branco e madeira, era de babar. E, agora, saiu um modelo denominado Brillance 530 (dê uma espiada na foto a seguir), fabricado por uma montadora chinesa em parceria com BMW que é simplesmente espetacular. Não podia, creiam, ser diferente porque os desenhos dos carros chineses estão sendo bolados, na maioria das vezes, em parceria com quem sabe fazer a coisa, no Ocidente, que no

final das contas é o melhor mercado dos produtos chineses. Os italianos estão dando banho de design nas terras de Mao. Para completar, todo dia estou sendo impelido, a bordo do meu sofá, pelo Faustão na TV, me aconselhando comprar um automóvel JAC, completo, sem essa de opcionais à parte e com inacreditáveis seis anos de garantia. Desse jeito, não tem quem segure. Fico olhando a revestrés ... e já me balancei pelo negócio. No futuro, quem sabe?
Tudo isso, minha gente, expõe de modo assustador a ameaça que, atualmente, sofre a indústria brasileira em geral, não apenas a automotiva, de ser abatida por um franco processo de desindustrialização. Não é à toa o que os metalúrgicos do ABC estão fazendo e que essa discussão cresça, rapidamente, no meio empresarial brasileiro.
Diante disso só nos resta fazer coro com os que cobram as reformas tributária e trabalhista tão demandadas pela Nação. Será que essas gente dos legislativo e executivo não enxergam o perigoso e ameaçador fosso que se abre na trajetória da indústria brasileira. Ou vão, mesmo, deixar a coisa ser reduzida ao plano das commodities? Será esse o papel que estão reservando para o Brasil? Eu toparia fazer uma distribuição de lentes corretivas para essa miopia política, nas entradas do Congresso Nacional e nas portas dos prédios da Esplanada dos Ministérios.


NOTA: A foto do Brillance 530 foi obtida no Google Imagens.

domingo, 3 de julho de 2011

Paisagem Matuta

Como faço todo ano, na noite de São João, corri para o interior, onde os festejos têm mais sabor e animação. Não importa o transito das estradas, nem os estado de abandono das mesmas. Este ano fui a Fazenda Nova, nosso reduto familiar. Muitas fogueiras e comidas de milho, como manda a tradição. No final da noite aquele mesmo show anual da queima de fogos, do magnata do cimento, nos céus do lugar, com duração de exatos 25 minutos. Um jeito bonito de queimar dinheiro... quem pode faz e quem não pode (que nem eu) assiste.
Passada a noite de folguedos restou-me circular pelas redondezas e rever a paisagem e a gente dos nossos antes. Oi, Dona Hilda! Como vai Seu Mané? Dona Rosa, a Senhora tá boinha? Tô sim sinhô! Vou levano, né?! É uma graça.
Mas, a parte mais divertida e imperdível é ir ao Brejo da Madre de Deus, 20 km. à frente, no sábado, quando é dia de feira. Nos interiores do Nordeste, dia de feira é dia de festa. O povo se arregimenta e vai às ruas para vender, comprar, fazer o footing e debulhar as fofocas mais fresquinhas. É sempre um alvoroço. Principalmente como no Brejo, que é uma cidade sem muito “o que fazer”. Tem menino, correndo pra todo lado e entre as pernas da gente, tem jovens e velhos, mocinhas casadoiras, vitalinas (donzela velha) atrás dos bestas encalhados que se habilitem a fazer uma caridade e marmanjos paquerando as menininhas saracuteadas, cada vez mais numerosas, nos dias de agora. Fala-se de uma vitalina que faz a feira, propriamente dita, ao raiar do dia e volta prá casa, toma banho, se perfuma, bota pó e rouge e corre prá feira, no auge do movimento, para cometer a incansável caçada. A paisagem é quase a mesma de antigamente, não fossem os sinais concretos da onda da globalização econômica que, sem pedir licença, invade o ambiente e enche algumas bancas da feira de bugigangas chinesas, é claro, se transformando em verdadeiros sucessos de mercado. É radinho de pilha, relógio, aparelhos de telefonia celular, brinquedos eletrônicos das mais diversas modalidades, joguinhos eletrônicos, óculos entre outros muitos itens. Ah! Acrescente-se a essa gama de produtos importados os artigos para o vestuário e seus acessórios, que, inclusive, concorrem, gozando de larga vantagem, com os fabricados na Região (pólo de confecções de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru). Vide fotos.
Acompanhado de um irmão, com imenso prestigio político no pedaço, fui parando a todo instante, que nem cavalo de bêbado. “Cuma vai Doutô? Deixe eu passar a mão nas sua costa...” “Oi meu fio” – falando comigo – “esse seu irmão é uma benção de Deus cá prá noisi. Veja só, eu inté aliso as costa dele pra mode me sentir mió...” Parei e fiquei admirando a pureza daquela gente. E orgulhoso do irmão...
De repente, vejo-me diante de um cidadão metido num macacão sujo de tintas de todas as cores, simpático e muito falante. Meu irmão me apresenta e diz que se trata de um dos mais atuantes vereadores da cidade. Claro que fiquei surpreso. Um vereador, com trajes de trabalhador! Quem já viu? Vestido daquele jeito... Manifestando prazer em me conhecer, foi logo me dizendo que era especialista em alongar os Jipes Toyotas, para transformá-los em potentes lotações, muito comum naquelas bandas. “E como você exerce o papel de vereador? O salário de vereador, não é o bastante?” Perguntei curioso. “É simples doutô: eu ganho Cinco
Mil por mês na Câmara Municipal e gasto o dobro com meus eleitores... Não posso deixar de trabaiá meus toyota... num vou morrê de fome, né”
Mais adiante fui apresentado a um velho político que, em dois minutos, deu a receita infalível de como fazer política no interior. Aliás, lembrou muito meu avô, antigo chefe político da região, ao afirmar que “quem não aparece, desaparece”, ao criticar o sumiço de um dos mais fortes candidatos a prefeito da cidade. “O povo quer esse homem, mas, ele parece que não quer o povo!...”
No final da circulada escutei de um popular uma verdadeira bomba, ao afirmar que correm rumores de um mensalão brejense. Já pensou?! O vereador da oposição que, na Câmara Municipal, guardar silêncio e não perturbar o atual prefeito ganha – por fora – o tanto que ganha por dentro. Pelo visto, a paisagem matuta não está tão matuta assim... Êita, que tá tudo estragado...
NOTA: Fotos do Blogueiro

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Lado Perverso do Progresso

Pernambuco inteiro saúda os bons ventos do progresso que sopram a seu favor. Não se fala noutra coisa e as projeções são das mais promissoras. Navios, produtos básicos da petroquímica, aços planos, automóveis, geradores de energia eólica, fármacos e medicamentos, além de outros vários produtos alimentares e bebidas, são ou logo serão os principais itens da nova lista de produtos da indústria de transformação pernambucana. É, indiscutivelmente, um senhor upgrade no aparelho produtivo industrial local.
Na esteira desse progresso, as possibilidades de muitos e novos postos de emprego é uma realidade que, naturalmente, é também saudada com entusiasmo. Claro, porque numa região com altas taxas de desemprego, não poderia ser de outro modo. Há uma verdadeira euforia. Tem profissional que se refestela com o poder de escolher para onde ir, fazendo um verdadeiro leilão, num “quem dá mais?” Quem diria? Para completar, a mídia se encarrega de dar uma alavancada para algumas categorias, como é o caso dos soldadores metalúrgicos. Esses são poucos e demandados a peso de ouro. Já é sonho profissional de jovens que chegam ao mercado de trabalho.
Nesse dinâmico ambiente, são milhares de pessoas ( somente no Estaleiro Atlântico Sul e na implantação da Refinaria são, em números redondos, 35.000) na maior parte homens, ocupadas nas obras de construções, instalações e nas linhas de produção já em funcionamento, ganhando salários diferenciados, incluindo os privilegiados que vêm de fora trazidos a propósito ou atraídos pelo novo “eldorado”. Pense no efeito que exerce esse exercito de homens jovens, forasteiros, cheios de saúde, relativamente endinheirados e dispostos a se esbaldar nos bares, baladas e lupanares regionais. Pronto! É aí que se revela o que eu chamo de “lado perverso do progresso”.
As municipalidades do Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão, Ipojuca, Escada e Moreno – que fazem o entorno do Complexo Industrial de Suape – estão às voltas com problemas sociais sem tamanho. Esses homens trabalhadores – grande parte itinerante – tiraram o sossego das famílias locais. Estão promovendo a maior onda de prostituição adulta e infantil. A coisa tomou conta daquele território e promete se radicar. Jovens garotas de menor idade e totalmente despreparada se entregam, alegremente, aos prazeres do sexo, por um trocado qualquer ou, mesmo, por diversão. O resultado mais tangível são as centenas de garotas, nem bem saídas da infância, grávidas e mães dos já chamados “ filhos de Suape”. Imagine, minha gente, que para abalar a galera e ganhá-la de cara, eles fazem questão de desfilar nos points da moda, fardados com visíveis logos das construtoras que os emprega ou, por exemplo, de EAS e Petrobrás. Vaidosos pelo papel que desempenham vão à loucura, quando disputados na tapa. Posam de “tônemaí”. Enfim, são aventureiros profissionais. Hoje aqui, amanhã bem distante... Doloroso! Haja perversidade.
E as autoridades? Estas, pelo visto, ou são míopes ou fazem vista grossa para o problema, muito embora que alguns partidos políticos (PSTU, por exemplo) se mobilizam para discutir a questão em audiências publicas. A imprensa já se deu conta dessa preciosa pauta. O Diário de Pernambuco, por exemplo, registrou em matérias, no mês de maio passado, resultados assustadores de uma pesquisa de campo, sobre o tema. A Universidade de Ferrara (Itália) também fez de Suape um caso de estudo, trazendo alunos de mestrado em Planejamento Urbano e Desenvolvimento Local, que escancararam a situação. Aliás, está aí um excelente tema de estudo para os pesquisadores de plantão, assim como para dissertações e teses de mestrados e doutorados.
Vai ser difícil contornar o desafio, mas, um trabalho social tem que ser urgentemente implementado junto às famílias e escolas publicas de primeiro grau, onde está a população mais vulnerável.
NOTA: As fotos foram colhidas no Google Imagens.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A União (sempre) faz a Força.

Duas semanas atrás, comentei – constrangido – sobre a situação difícil pela qual passa hoje o Estaleiro Atlântico Sul - EAS, diante dos atrasos e complicações para concluir e entregar sua emblemática primeira encomenda, o petroleiro João Cândido, lançado ao mar açodadamente, em maio do ano passado (07/05/2010). Dada a delicadeza do assunto, tive o cuidado de restringir a circulação da postagem apenas num grupo selecionado de pernambucanos ou pessoas ligadas ao tema e defensores de Pernambuco. A razão foi bem simples: preservar a boa imagem que o estado goza nos ambientes externos, do Brasil e do exterior.
Quando tomei esse cuidado, quis deixar, nas entrelinhas, uma mensagem de que se trata de um assunto do interesse de um grupo particular e capaz de fazer algo em defesa do projeto, que representa a alavancagem da nova indústria local e, ao mesmo tempo, a retomada da indústria naval brasileira. Acredito que ninguém discorde...
Claro que o assunto já vazou, Pernambuco afora, e a grande imprensa nacional (O Estadão, em 28.05, por exemplo) explorou o caso, repercutindo negativamente aqui e alhures. Outros veículos vêm fazendo o mesmo, o que é extremamente negativo.
No final daquela postagem desejei que o problema fosse resolvido o mais rápido possível, à medida que entendo (meio mundo pernambucano também entende) que a solução será fundamental para consolidar o EAS, o novo Pernambuco industrial que se constrói e a própria nova indústria naval nacional.
Ocorre, porém, que o assunto já roda em comentários, críticas e, até mesmo, em "campanhas" perniciosas – notadamente a partir das falanges políticas opositoras – o que pode ser catastrófico para o estado. Lamentavelmente, nada a estranhar para quem conhece a típica cultura politiqueira local. O que faz medo é que logo, logo, comecem a aparecer discursos desfavoráveis de concorrentes cariocas e paulistas ou gaúchos e catarinenses. Aí, sim, a coisa vai pegar
É preciso que haja, urgentemente, uma campanha de conscientização geral por um discurso uniforme, de preferência padronizado, que seja feito por todo e qualquer pernambucano – independente da matiz política – em defesa urgente, não apenas do Estaleiro, mas da nova industria naval, da de Petróleo e Gás e a Automobilística, enfim, do novo Pernambuco que desponta. Mais do que nunca, cabe o clichê de que “não podemos perder a chance que se abriu agora”, caso contrário, seremos condenados a uma definitiva estagnação. É agora ou nunca, minha gente!
As lideranças políticas estaduais devem esquecer – ao menos momentaneamente – suas diferenças ideológicas ou eleitoreiras e de mãos dadas defender, com “unhas e dentes”, como se dizia antigamente, esse projeto naval âncora do nosso novo estado industrial.
Nesse ambiente de união, vamos esquecer o, já distante, 7 de maio de 2010 e o palanque eleitoreiro montado na ocasião. Vamos esquecer as falhas e defeitos estruturais do João Candido. Vamos esquecer, também, que a construção do navio foi simultânea à construção das instalações do estaleiro. Chega de desculpas e de acusações. Que cessem o caçar bruxas. Ao invés disso, vamos enaltecer o esforço que se faz de corrigir as falhas e de entregar o navio pronto e apto a singrar os sete mares, com bandeira brasileira tremulando e enchendo o peito do pernambucano, ao dizer: isto é um produto de Pernambuco, construído com suor nordestino.
Pelo menos dessa vez, sejamos cidadãos politizados, de primeira categoria. Será um bom exercício, lembrando sempre que é a “a união que (sempre) faz a força”.

NOTA: Não é preciso foto ilustrativa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Perseguição Vulcânica

Neste fim de semana passado, tomei uma decisão: toda vez que me programar para uma viagem ao exterior, consultarei antecipadamente os centros sismológicos da região destino. Claro! No ano passado “arrastei” as malas do aeroporto do Recife para casa, devido à violenta erupção do vulcão Eyjafjallajökull (duvido você acertar a pronúncia), na distante Islândia. (Para saber mais clique em: http://gbrazileiro.blogspot.com/2010/04/arrastei-mala.htm ). Naquela ocasião, perdi compromissos na Alemanha. Esta semana, para minha surpresa, deixei de ir a Buenos Aires (Argentina) por conta de outra erupção vulcânica, desta vez no Sul do Chile. Outros compromissos foram perdidos. O Puyehue Cordón-Caulle acordou “mal-humorado”, de longo sono e entrou em atividade, espalhando lavras, fazendo chover pedras incandescentes e levantando uma descomunal nuvem de cinzas vulcânicas, a uma altitude média de 10.000 metros, inviabilizando o tráfego aéreo no chamado Cone Sul do continente.
Desapontado com a repetida frustração por conta de vulcões, não tive dúvidas em concluir que eles estão me perseguindo. Já pensou? Estou convencido de que venho sofrendo uma perseguição vulcânica... só pode, gente!
Só que, dessa vez, tive um pouco mais de percalços porque ainda cheguei a deixar o Recife, pronto para uma conexão imediata em São Paulo, o que não aconteceu. Ao invés de tangos e malbecs fiquei, na companhia da minha esposa e meu filho, vagando na apática cidade de Guarulhos, por dois dias. A expectativa foi grande nessas 48 horas. Ficamos de olho na meteorologia que sempre apontava para o pior.
E olha: assim como nós, havia um monte de gente na mesma situação. Eram brasileiros, argentinos, uruguaios, chilenos, europeus, entre outros, numa verdadeira babel. Aeroporto de Cumbica “botando pelo ladrão”. Cervejarias e lanchonetes precisando reabastecer os estoques a cada duas horas. Gente espalhada pelas poucas cadeiras e chãos disponíveis. (Veja as fotos que fiz, a seguir). Os banheiros, meu Deus, eram verdadeiros pântanos. Crianças e velhos em estado de desvalidos. Teve nego que varou a noite, pelos cantos. Pense no caos daquilo lá, no sábado pela manhã. O que antes era um tranqüilo e eficiente aeroporto (ou parecia...), lembrava mais uma estação rodoviária de baixa categoria e numa remota cidade de interior. Naquelas horas de aperto, todo mundo perguntava: e na Copa do Mundo? Se der algum tilt extemporâneo desse tipo, o bichovaipegar... Ah! Vai sim. Eu só sei que voltar para casa que, aliás, conseguimos, foi um alivio. Recuperar as bagagens, no Recife, foi, para mim, uma sorte grande. Hoje é segunda feira (13) vi no noticiário matinal da TV que os céus continuam fechados pelas fumaças e não sai nem chega avião para/de Buenos Aires, Montevidéu ou Santiago do Chile. Aliás, o problema já afeta os vôos para Austrália e Nova Zelândia. P#@@a...
No meio disso tudo, como bons brasileiros e cheios de alto astral, não perdemos tempo e logo nos enturmamos a outros “perseguidos” pelo vulcão, formando uma patota bem humorada e curtidores da vida. Uma espécie de MSV – Movimento dos Sem Vôos. Na primeira noite, 5ª. Feira, no refugio de um hotel de Guarulhos, longe dos Jardins e de um salão tipo Parigi ou Gero, mandamos ver bons vinhos italianos, para regar e tolerar um cardápio de baixíssimo padrão e, por supuesto, molhar as palavras das nossas conversas, com animado grupo (médicos paulistas), até o cair da madrugada. Vulcão, viagens, enfermidades, filhos, romances, empregadas domésticas espirituosas ou ignorantes, vida, entre outros assuntos surgiram seguidamente, forjando, aos poucos, uma “amizade de infância”, neutralizando a frustração de não viajar. Nossa farrinha foi a melhor maneira para recuperar o bom humor, perdido nas salas do Aeroporto de Cumbica.
Como no ano passado, na Europa, o atual caos aéreo latino-americano, faz a festa dos que operam no setor dos serviços das cidades afetadas. Em São Paulo, por exemplo, os hotéis, restaurantes, lanchonetes, comércio, taxistas, locadoras de veículos, boates, casas de massagem, serviços de acompanhantes para executivos, bordéis, botecos e, enfim, tudos que ajudam a matar o tempo, estão rindo à toa. A Terra treme, vomita fogo e baforadas de fumaça e a “macacada” se vira como pode. Não sobrou uma cama de hotel ou motel da cidade. Alegria geral! Menos, naturalmente, nos balcões das companhias aéreas, onde os atendentes sofriam com as exigencias dos “perseguidos” mal-humorados.
Para terminar meu papo semanal, lembro que das crises surge o progresso tecnológico. Por isso, estou seguro de que, muito em breve, aparecerão aeronaves resistentes às prejudiciais cinzas vulcânicas. Quem viver, verá.

Nota: As fotos são da autoria do Blogueiro

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Parto Pré-Maturo

Passei uma semana pensando: comento, não comento, comento... Bom, comento. A decepção que hoje sinto é tão intensa, quanto foi a alegria de ver, de perto, o alvorecer do projeto do Estaleiro Atlântico Sul - EAS. Na época, fazendo parte da equipe de Governo Estadual, aquilo foi o que se pode classificar do máximo, numa administração. Renascia a indústria naval brasileira e num sitio pernambucano. Ponto para o nosso trabalho.
Passados os últimos quatro anos, período no qual acompanhei, a uma distancia regulamentar, o processo de implantação da planta naval, comecei a escutar rumores de problemas no projeto. Aliás, numa das minhas últimas postagens, quando critiquei a péssima situação de acesso a Suape, recebi um comentário anônimo com pesada denúncia à gestão do Estaleiro. Embora não tenha – por principio – o hábito de publicar comentários anônimos, abri uma exceção e deixei registrado aquele. Tudo por conta da gravidade da coisa que era apontada.
Ocorre, porém, que a situação vem assumindo proporções lastimáveis e no, último sábado (28/05/2011), o jornal Estado de São Paulo publicou uma matéria, no mínimo, assustadora. Sob o titulo de Petroleiro está “encalhado” há um ano, o respeitado jornal paulista (isso é que é de lascar!), escancarou o quadro de dificuldades e deixou a turma da Ilha de Tatuoca - site do Estaleiro - em palpos de aranha. Tiveram que se explicar... O pauquebrou nas costas dos executivos recentemente dispensados e mandados para casa. São todos paulistas. O projeto está agora nas mãos de novos executivos postos lá pelo Conselho dos Acionistas (Camargo Correia, Queiroz Galvão, PJMR Empreendimentos e Samsung Heavy Industries). A situação, atual, no EAS é de encontrar a adequada solução de continuidade.
Voltando aos primeiros dias do mega-projeto, recordo bem que, quando tudo era apenas uma área em terraplenagem, já se falava para a entrega do primeiro navio, num exíguo tempo, se não me falha a memória, de pouco mais de dois anos. Embora incrédulo, a idéia enchia-me de orgulho porque imaginava que o Brasil e, em particular, Pernambuco ingressava numa era de inédito e fantástico desenvolvimento tecnológico. Puro engano. Estava claro que não era possível. Tecnicamente impossível. O lançamento do primeiro navio – o João Candido – previsto para 2009, só foi açodado e indevidamente lançado ao mar em 7 de maio de 2010. Aliás, embora estivesse por lá, não vi esse “empurrão” ao mar de Suape. Faltava alguma coisa. Não me

pergunte o que era? Quem sou eu para ter uma resposta dessas? No meio de um empurra-empurra de uma multidão curiosa de testemunhar o momento histórico, terminei levando um tombo e rachando a cara. Fui direto para a emergência médica. Mas, isto foi apenas um detalhe pessoal. Nada grave. Apenas um susto. No mesmo dia, a noite, embarquei para a Europa.
Resumo da "ópera": o João Candido foi um “parto pré-maturo”, com um feto mal formado e até hoje é mantido numa “incubadora”, tentando se salvar. A “parteira” responde pelo nome de Lula, ajudada por D. Dilma, numa das maiores manifestações de campanha política já registrada nas terras do Leão do Norte.
Agora, pensando bem, a culpa de tudo isso não foi somente dos executivos da época. Eles podem ter sido falhos, mas, analisando friamente, não podiam operar milagres... Acho que foi, muito mais, fruto de um planejamento falho e da uma Transpetro exigindo muito mais do que era possível de uma estrutura industrial em construção, secundada por uma voraz campanha eleitoral. Pense no que seja construir um navio imenso, no meio de uma construção civil e montagem de equipamentos, entre os quais os guindastes tipo goliath com 100 metros de altura e 164 de vão. Um mosntro que carrega 1.500 ton. de uma vez. Tá louco, meu...
Claro que pesou, também, a inexperiência local na construção naval, o começo de uso da estrutura industrial incompleta e a mão de obra adaptada na marra. A grande maioria oriunda do corte da canam, na Zona da Mata Sul pernambucana.
É uma lástima o que está acontecendo. Estou torcendo para que as coisas encontre os trilhos certos e o EAS amadureça e comece a desovar navios e plataformas no Atlântico, com cronogramas exequíveis e qualidade indiscutível. Este projeto tem que vingar e dar conta dos 22 navios petroleiros encomendados.
Contrariado vou fazer esta postagem. Logo eu que, entre outros, fiz o maior coro de propaganda, no meio do mundo e aos quatro ventos, desse belo projeto. Vejo que, nem todo belo projeto é viável como desejado e a tempo. Essa "criança pré-matura" tem que ser salva rapidamente, para garantir credibilidade ao EAS.


NOTA: Foto tirada no Google Imagens

Supremo Desalento

Acordei cedo neste 15 de setembro de 2026, alimentado uma das maiores esperanças dos últimos tempos para meu Brasil: a sessão extraordinári...