Falar de Francisco, o Papa, quando da sua ascensão em Roma
se constituiu num exercício prazeroso. Este prazer se renovou, nesses
últimos dias durante e depois da sua vinda ao Brasil, para acompanhar a Jornada
Mundial da Juventude. Que sujeito extraordinário! Cativante em simpatia,
humilde nos gestos e verdadeiro como ser humano, em tudo e por tudo.
Chegou de mansinho afirmando bater a nossa porta sem trazer ouro
ou prata, mas trazendo uma mensagem de amor e fé. No final dos dias enxergamos
que, na realidade, Francisco trouxe uma fantástica lufada de buenos aires de paz e esperança para uma
juventude cheia de incertezas e uma Nação intranquila, carente de um líder que
desempenhe um papel de pai da pátria. E o resultado foi visto nas ruas do Rio
de Janeiro. Aqueles que, porventura, puderam se aproximar, tocar, abraçar,
chorar no ombro e falar com o Santo Padre foram responsáveis pelo recado que a
Nação quis dar aos nossos governantes e ao Mundo. E à Velha Igreja Católica,
naturalmente.
Acostumados à imagens austeras e distantes de outros papas,
o mundo inteiro e os brasileiros, particularmente, foram surpreendidos com um
Francisco, igual a outros franciscos que esbarram conosco no meio da rua. Ele
foi um dos que esbarrou, até mesmo num inesperado engarrafamento de transito,
com muitos outros. Abraçar a todos que
alcançava, beijar a toda criança que lhe traziam, abrir a janela do popular
carrinho (um Fiatizinho Idea) no qual circulava para sentir o calor e o cheiro
do povo, tomar do mesmo chimarrão – como argentino, ele é chegado a um matecito – de um popular no meio de um
desfile no Papamóvel, rezar um Pai-Nosso
de mãos dadas com dois pastores protestantes, na visita à favela, entre outros
gestos tão populares quanto estes, transformaram Francisco num pop-star. Francamente, impossível não
admirar esse Homem. A placa carregada por um jovem, na multidão de Copacabana,
dizendo-se evangélico, mas encantado por este Papa foi outro momento fora do
normal. Aliás, foi tudo fora do normal. Para melhor, graças a Deus e a
Francisco. Salve Francisco, minha gente!
Pela TV acompanhei atentamente os passos desse Homem e
encantei-me com cada detalhe. Achei insólito vê-lo subir as escadas de um avião,
bem ligeirinho e carregando uma pasta pesada. Nunca antes na história do
Vaticano! Papa tinha que ser quase parado. Lembro agora que Bento 16, por
exemplo, descia as escadas em passos lentos e estudados, parecia uma múmia
saída de um sarcófago do Museu do Louvre. Era aquela coisa distante, como quem
descia do céu. Francisco não... impossível esquecer a resposta dele ao repórter
que quis saber o que trazia naquela pasta. De certo modo, uma indiscrição. Mas,
sendo Francisco, tudo cabe. Ou quase tudo... “O que há de anormal nisso?”
respondeu Sua Santidade. E completou: “trago objetos pessoais, como um
barbeador, uma agenda, meus discursos, um breviário e um livro que estou lendo,
de Santa Terezinha, de quem sou devoto”. Vejam quanta simplicidade. Outra prova
de que este Papa quer se mostrar como um homem comum, de carne, osso e todas as
necessidades humanas. O mundo estava precisando ver uma coisa dessas. O fato de
dar uma entrevista ao Jornalista Gerson Camarotti se constituiu num furo de
reportagem, em nível mundial. O Vaticano sempre se opôs a esse tipo de
expediente. Outra vez, era preciso que fosse Francisco, um Santo de carne e
osso. Acho que qualquer dia ele vai sair por aí sem batina. Por que não? Não
usa as joias de ouro, dispensou o sapato vermelho e também aquela pelerine
vermelha cheia de arminho. Coisa muito antiga, usada pelos papas que se
julgavam reis.
Detalhes à parte, temos que valorizar e ficarmos atentos
para as intenções que Ele vem manifestando de corrigir defeitos cabeludos e,
por isso, pontos de fragilidade que sabemos existem no seio da Igreja, entre os
quais os casos de pedofilia, a corrupção envolvendo o Banco do Vaticano e a
Cúria Romana, os tratamentos a serem dados aos homossexuais e as uniões homoafetivas,
aborto e comunhão para os divorciados. Salve Francisco!



