Que a atividade econômica do Vale do São Francisco, baseada
na fruticultura irrigada, é um dos negócios mais bem sucedido do Brasil
moderno, todo mundo já sabe. Este tema, que já foi assunto deste Blog
noutras ocasiões, testemunha meu entusiasmo por tudo que acontece naquela
região cortada pelo velho Chico, no trecho de fronteira entre os estados de
Pernambuco e da Bahia, tendo os municípios
de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) formando o maior aglomerado urbano. Como não admirar o
progresso e o aproveitamento agrícola de uma área fincada no meio do inóspito
semiárido nordestino? Como não encher os olhos de alegria ao divisar a verdura
dos perímetros irrigados gerando riqueza e sustento para uma população que
antes só experimentava agruras e miséria, geradas pelo sol causticante e
abrasador? Como não se deliciar com a doçura e a qualidade superior das frutas
cultivadas naquela região? São perguntas, entre muitas outras, que recebem
sempre respostas positivas.
Posso me considerar um razoável conhecedor da região, tanto
pelo interesse pessoal, como em decorrência das minhas atividades profissionais.
Perdi a conta das vezes que adentrei naqueles campos de cultivo e em que,
particularmente, visitei as adegas produtoras de vinhos tirados das uvas do
vale. Ou seja, acompanhei de perto a construção de uma atividade econômica que
levou os nomes de Pernambuco e da Bahia, Nordeste enfim, aos quatro cantos do
mundo.
Ultimamente, porém, um movimento pouco animador vem
despertando a preocupação de todos que conhecem , admiram e defendem aquela
região: fazendas produtoras de frutas tropicais e vinhos de qualidade superior
estão sendo invadidas pelos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST), sob duvidosas alegações – dizem que as terras são improdutivas!
– e pondo em risco uma economia indiscutivelmente bem sucedida. Primeiro foi a Fazenda
Milano que, além de frutas tropicais, produz vinhos finos, com a consagrada
marca Botticelli, invadida em 12 de outubro passado. Depois, na semana que
passou, foi a vez da vinícola Bianchetti, que existe de 1998. Observadores
locais garantem que nenhuma das terras invadidas é improdutiva, dado que se
acham a pleno funcionamento, plantando, colhendo, exportando e produzindo vinhos. A briga
rola na justiça e autoridades já foram chamadas para atestar a verdade.
Processo para reintegração de posse, aliás, já foi emitido a favor da Milano, que
aguarda execução sob o lento e magnânimo compasso do comando da policia local.
A Milano, meus amigos e amigas, tem uma invejável trajetória
de 43 anos, produzindo em cerca de 300 hectares frutas e uvas para exportação,
além de vinhos. É uma empresa pioneira e serve de modelo para essas atividades
no Vale. De lá saem regularmente uvas, mangas, goiaba, maracujá, feijão, milho,
leite e queijos em escala comercial. Falo de uma empresa cidadã, com mais de
trezentas famílias vivendo com qualidade de vida e que, neste momento, estão
impedidas de produzir, devido a desordem instalada pelos invasores. Além de
invadir quebraram tudo, provocando um imenso prejuízo econômico, afora outro,
de natureza emocional, segundo o Administrador da Fazenda, José Gualberto de
Almeida, à medida que sequer pode sair de casa, na sede da Fazenda.
No caso da Bianchetti, são 100 invasores que chegaram em
carros, vans, motos e, vejam só, protegidos pela policia. Garantem que vão
ficar por lá e se preparam para plantar e sobreviver.
Quem conhece aquilo lá, sabe que o governo promoveu
assentamentos para famílias de baixa renda da região no entorno desses grandes empreendimentos invadidos, e que por falta de assistência técnica e social essa gente vem
abandonando as terras recebidas legalmente, indo atrás daquelas já bem
estruturadas e com produtividades garantidas. Francamente! Que país é este?
Onde estão nossos governantes?
Contudo, lamentando o que vem sendo registrado e por dever tento um
olhar neutro, digo, na ótica dos invasores e imagino que algumas empresas podem,
mesmo, estar atravessando dificuldades num ou noutro aspecto legal, coisa mais
do que comum, neste Brasil! As invadidas podem ser exemplos. Mas, e daí? Será
que isso é motivo para que sejam invadidas? Tudo leva a crer que vem ocorrendo
puro oportunismo desse MST.
Infelizmente ser empresário no Brasil vem se transformando num
ato de bravura. As dificuldades são imensas. Problemas com impostos escorchantes,
custo da mão de obra, luz, água e telecomunicações, logística precária, baixas
produtividades, concorrência estrangeira, etc, etc. E bote etc. nisso!
Para as empresas do Vale do São Francisco acredito que a
situação é ainda mais séria porque vivem das exportações, atualmente abaladas
pela apreciação do Real, combinada com a retração do consumo num mercado
mundial em crise.
Precisamos salvar a economia do Vale do São Francisco! Fim
urgente à desordem que ali se instalou!
NOTA: As fotos que ilustram o post foram colhidas no Google Imagens


