Historicamente
é sabido que toda crise, seja qual for a natureza, enseja desafios e desses
nascem oportunidades de novas soluções com traços de perenidade: inovações
tecnológicas e biotecnológicas, novas formas de convivência, estratégias
politico-institucionais e relações internacionais diferenciadas.
Outro dia
postei algo cujo referencial foi o velho ditado do “todo mal traz um bem”. De
fato, a crise atual vai deixar boas lições: nações e governos terão que rever
seus próximos passos com fatores econômicas limitantes e particularmente,
muitas atenções para com os possíveis novos traços culturais (usos e costumes).
Reações contrárias existirão, mas não terão sustentação.
Já o
ambiente doméstico que já se arrasta, por bom tempo, castigado por crises
politicas e econômicas, a pandemia da Covid-19 vem se revelando severamente mais
expressiva, porquanto desencontros político-institucionais se mostram incapazes
de mitigá-la de pronto. O mundo está de olho neste caso brasileiro. Internamente,
há um clima de intranquilidade pairando sobre o país e que vem empurrando a
sociedade para um futuro incerto e, por isso mesmo, desanimador. Cidadãos comuns,
empresários – pequenos, médios e grandes – e respectivas entidades de classe
não conseguem enxergar o fim da crise que além de sanitária é visivelmente econômica.
Inverossímeis para muitos.
No setor
produtivo as coisas que já vinham capengando se tronaram mais periclitantes
nesses meses de novo Coronavírus. Há claros sinais de perplexidade entre os que
comandam segmentos da produção nos três setores básicos: primário, secundário e
de serviços. O Brasil, inscrito entre as dez maiores economias do planeta, vê-se
numa encruzilhada que o obriga a vencer um futuro desafiador para o qual não se
preparou no passado recente e digamos perdeu o “bonde da história”. O mercado
internacional vai cobrar caro pelas irresponsabilidades cometidas. O Governo
desfia, como todos, um discurso “encorajador”. O Ministro da Economia foi à televisão
e prometeu áureos tempos. Prometeu, até, surpresas. Entrementes, institutos de pesquisas
e especialistas econômicos duvidam dessas promessas. Ora, sem o giro necessário
a economia não gera riquezas; os cofres públicos estão sendo “raspados” para
evitar o colapso e, desse modo, se o sistema não roda o futuro é incerto.
A propósito,
recebi, esses dias, de amigo empresário paulista (Newton de Mello, dirigente da
Fiesp e ex-presidente da Abimaq) um relatório, emitido pelo Instituto
Brasil-Nação (http://conselhobrasilnacao.org)
com observações críticas ao desempenho econômico brasileiro, nas últimas décadas.
O documento centra sua analise em três dimensões: mercado interno restrito e,
por isso, a produção precisa ser direcionada às exportações; falta de competitividade
da produção brasileira sobremodo nesse mercado internacional e, por fim, fuga
de empresas nacionais para atuar noutros países com mais chances de competir no
mercado globalizado.
![]() |
| Industria pouco competitiva |
São criticas
com algumas propriedades, embora que sujeitas a algumas controvérsias. O próprio
Mello, do alto da sua experiência, apressou-se em tecer considerações, com as
quais comungo e ainda arrisco alguns pontos a mais: Mercado pequeno? Como um
fator que atrai investidores estrangeiros pode ser tomado como irrelevante? 220
Milhões de pessoas não pode ser visto como mercado inexpressivo. Claro, e não
sejamos ingênuos, que muitos não conseguem consumir o desejado por eles mesmos
e pelos produtores. Mas, isso é uma situação gerada na formação econômica do
país, na falta de educação e de investimentos básicos. Aliás, é assunto para
outra edição! A segunda observação vai para a dimensão que se refere à falta de
competitividade. Claro! Como ser competitivo se não se investe em Ciência e
Tecnologia? Em inovação! Nem governos e nem empresários se habilitaram a criar condições
propícias para tanto. As universidades formam pessoal que não encontra onde aplicar
seus conhecimentos e termina se dedicando a setores outros, para não morrer de
fome. E por fim as empresas fogem para produzir noutros países. Claro, também! Vão
à busca de custos mais baixos, tronarem-se mais competitivas, mais segurança jurídica,
impostos justos e pessoal qualificado. Ganham mais do que permanecendo no país
que não garante o retorno adequado. Obvio que geram empregos, receitas
tributárias e rendas para a sociedade onde atuam.
![]() |
| Soja: Riqueza alimentar do Brasil para o mundo |
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

