segunda-feira, 20 de abril de 2026

Vontade de voltar

Enquanto o mundo leva sustos diários nas mãos dos sedentos de poder manobrando peças sensíveis no tabuleiro da geopolítica mundial, corro para meu ambiente de paz, longe do asfixiante meio metropolitano e onde posso me infiltrar nas raízes do meu povo, da minha gente brejeira e alheia às maldades de alhures. Estou em Gravatá. Interior de Pernambuco (Brasil). Um lugar de paz, clima ameno serrano e onde habita um povo de coração puro e alma limpa que, sequer, pode imaginar o que uma guerra pode prejudicar sua própria vida. Eles ouvem falar de uma guerra, claro. Afinal, a moderna vida que desfila nas telas de televisão passa, fala do tema, mas, pouco atrai sua atenção. E todos têm seu moderno aparelho de TV. A casa pode estar caindo, mas sustenta a antena parabólica. Firme e forte. Para o interiorano, bom mesmo é estar assistindo ao futebol ou a novela das oito. Gosto de chegar perto dessa gente. É minha forma de sentir o pulsar real de uma Nação. Falo de Nação com N maiúsculo. Que significa um grupo de indivíduos que compartilham em comum língua, história, cultura, tradições e identidade. Busco sentir por aqui. É formidável ouvir do meu jardineiro o questionamento curioso e inocente ao me dizer “ouvi falar de uma guerra que está acontecendo lá no estrangeiro e não vão mais mandar farinha de trigo pra nós aqui! É verdade? Só penso no meu menino que adora comer pão”. Explicar o complexo esquema para ele foi missão delicada. Terminou deixando o gramado mal aparado. Na feira publica, as conversas são das mais enriquecedoras. Os traços culturais são vibrantes.
Nesta época do ano o matuto já está de olho no plantio do milho. Mês de junho se aproximando e a época de comer canjica e pamonha tem que estar garantida. A mocinha da banca de frutas me falou que já vão começar a ensaiar a dança da quadrilha, no sítio onde ela vive. “Tá todo mundo avexado, oxe!” Argumentei que ainda é mês de abril. “Eu gosto mais dos ensaios do que do dia da festa mesmo!”. Na verdade nos ensaios rolam climas de romance entre os pares e novas famílias são projetadas dando sequencia ao tudo que preserva as tradições e a cultura histórica.
Na realidade, são pessoas bem praticas. Plantam para comer. Vivem um dia-a-dia rotineiro e sem as preocupações que, nós outros, temos e vivemos a mercê das alucinações de Trump, Putin, Alexandre Morais ou Lula. Volto com vontade de voltar. NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

6 comentários:

Anônimo disse...

Nininha Brasileiro

Anônimo disse...

Primo girley amei a mesa deliciosa eu vi se não me engano pastel de nata

Anônimo disse...

"Eu gosto mais dos ensaios do que do dia da festa mesmo" vivi esse momento, era bom demais! Abs. Pedro Corrêa.

Anônimo disse...

Perfeito primo, faz lembrar a minha querida cidade de Garanhuns . Viva São João

José Paulo Cavalcanti disse...

Em Gravatá?, mestre Girley. Inveja, dos que andamos sofrendo no frio dessa Lisboa, para o amigo Pessoa só “ uma eterna verdade vazia e perfeita “ .

Ina Melo disse...

Pois é amigo! Por isso dizem que “o homem feliz é aquele que não usa camisa”, no rol dos homens do mal, você esqueceu do verme Bozo, que continua de olho no Brasil e nas suas riquezas

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