terça-feira, 24 de junho de 2008

OXÊNTE MENINA, SEGURE O XÓTE.

Todo ano é sempre assim: quando chega o mês de junho o Nordeste se transforma num enorme arraial junino. É xóte, xaxado e baião, nos incontáveis forrós espalhados, sobretudo, nas cidades do interior.
Aliás, forró, bom mesmo, só no interior. E, se for daqueles do tipo pé-de-serra, com um trio formado de sanfoneiro, zabumba e triângulo, é uma delicia.
Eu, sempre que posso, fujo da cidade e corro para o interior para curtir a noite de São João. Aproveito para rever irmãos, parentes e amigos de longas datas, no meio da festança. Foi o que ocorreu neste fim-de-semana prolongado, com a noite de São João no meio. Garrei minha mulé e me mandei pra Fazenda Nova, terra dos meus ancestrais.
Lá, no “feudo familiar”, hoje sob a liderança do meu irmão Gil Brasileiro, organizamos nosso forró pé-de-serra, comemos e bebemos todos os vinhos da adega e revivemos, saudosamente, momentos do passado. Lembramos dos que já partiram e festejamos os recém-chegados com muitos fogos, fogueira, milho assado, pamonha, canjica e pé-de-moleque.
Na hora da saudade, lembrei-me que, antigamente, chegava a me vestir de matuto – calças remendadas, paletó apertado, gravata mal-amanhada – e gritava várias quadrilhas. Mas, isso foi coisa da minha juventude. Hoje em dia, as coisas são bem diferentes. A quadrilha moderna já não tem seus integrantes vestidos à moda matuta. Ao invés disso, criam um guarda-roupa especial, mais lembrando fantasias carnavalescas, com muito brilho e sem remendos. A coreografia, nem se fala. Nem de longe, lembra a velha quadrilha ao estilo francês, cheio de reverencia e solenidade. Poucos são os jovens que se caracterizam de caipira. Parece até que há uma rejeição ao gracioso estilo brejeiro. Uma pena...
No triangulo geográfico formado por Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe e cidades vizinhas (incluindo Fazenda Nova e Brejo da Madre de Deus), pólo da moda e confecções do estado, isto se torna ainda mais flagrante. No período junino, as moçoilas aproveitam para exibir o último grito da moda. Não existe mais matuto! Acabaram com a matutice, minha gente!
Num encontro de sanfoneiros no Brejo, tive oportunidade de observar de tudo. Lembro da jovem vestida, insinuantemente, com uma blusinha transparente, por baixo um sutiã cheio de paetês e um short bem curtinho, tanto de cima pra baixo, quanto de baixo pra cima. O zíper devia ter, se muito, 3 cm! Era literalmente short. No palco tocavam um xóte, em baixo ela dançava dentro do short, bem xortinho... Passei sorrateiramente e recomendei: “muito bem menina, segura o xóte...” Sem saber direito, penso eu, o que é um xóte, a moderninha brejense olhou pro xortinho, deu uma levantada... não sei como, e seguiu, digamos que, com todo respeito, xoxotando! Tempos modernos.
Velho assanhado? Quem? Eu? De jeito nenhum! Velho cuidadoso com a moral publica interiorana. Na minha época as meninas eram tão recatadas... Ah! Meu Deus! Era mais emocionante.
Mas, ainda bem que, nem tudo está perdido ou se modernizou de vez. Há, ainda, alguma coisa preservada. Foi o caso que flagrei, no mesmo encontro dos sanfoneiros, no Brejo da Madre de Deus: de repente – quando um trio sapecou um forró, desses que o caboco já queimado diz logo: “êita que esta não tem pareia, é arretada” – duas mulheres se abraçaram e saíram dançando, rodopiando animadamente, no salão, sem medo de virar jacaré! Isto mesmo, sem medo de virar jacaré! Acontece que, nos meus tempos de menino, ouvi muitas vezes, dos mais velhos, que “mulher com mulher dá jacaré e homem com homem dá lobisomem”. Criança inocente, lá em Fazenda Nova, nas noites de bailinhos, no hotel do meu avô, eu torcia para que uma dupla de mulheres dançando virasse jacaré ali mesmo no meio do salão. Pense que quadro sensacional! As duas estribuxando e se arrastando pelo chão, abrindo o bocão cheio de dentes e assustando o magote de gente ali reunido para se divertir. Cheguei, muitas vezes, a planejar o lugar para trepar, na hora do “pega-pra-capar”.
Naturalmente que meu sonho nunca se tornou realidade e, a cada ocasião, eu ia dormir decepcionado. Imaginação infantil, daquela época, e pureza e espontaneidade interiorana preservada até hoje. Uma beleza! Veja no clip, anexado abaixo, a dupla sem medo de virar jacaré.
Para terminar, cabe um comentário indispensável: na Fazenda Nova atual, todo 23 de junho, acontece uma especial noite pirotécnica. Para o deleite dos nativos e deslumbre dos visitantes, trava-se uma verdadeira “batalha” com queimas monumentais de fogos de artifício. Por volta das 8 da noite meu primo Robinson Pacheco, lá da Nova Jerusalém, dá inicio ao festival, com uma queima que lembra a cena final do Drama da Paixão, na semana santa. Uma beleza para os olhos. A resposta vem, com um intervalo aproximado de meia hora, com a queima dos fogos do deputado local. Passados 40 ou 60 minutos, o Prefeito do município faz sua apresentação, com uma queima colorida e demorada. Finalmente, por volta da meia-noite, um magnata do cimento que escolheu o local como uma das suas bases no interior, dá o maior show pirotécnico que se tem noticia em Pernambuco. Este dura aproximadamente 30 minutos numa queima extravagante e de proporções indescritíveis.
O céu da minha velha e querida Fazenda Nova se enche de luz e cores e, aos poucos, se transforma numa atração turística, nas noites de São João.

Nota: Clip e foto do blogueiro.

terça-feira, 17 de junho de 2008

PASSAGEIROS DO KASATO MARU

Nesta semana comemora-se, no Brasil e no Japão, o centenário da chegada do primeiro contingente de imigrantes japoneses, de uma grande série – apoiado por um acordo bilateral entre os governos dos dois países – que trocaram a terra do sol nascente pelo calor dos trópicos, numa saga de imensos desdobramentos para eles próprios e para o Brasil, um país jovem, pleno de oportunidades e em construção.
Quando, no dia 18 de Junho de 1908, 781 japoneses, após 50 dias de viagem, desde o Porto de Kobe, desembarcaram do navio Kasato Maru (foto ao lado), no Porto de Santos, em S. Paulo, nem eles mesmos tinham idéia de como viveriam dali para frente. A única coisa que desejavam era trabalhar muito, fazer o que no Brasil chamamos de um “pé de meia” e voltar à terra natal, com melhores condições econômicas e carregando a esperança de encontrar o país natal em melhores condições de vida. Ou seja, não vieram para ficar e sim para passar uma temporada.
Para os brasileiros esses imigrantes eram vistos, apenas, como mão-de-obra direcionada para a lavoura do café, à época mergulhada numa imensa crise de mão-de-obra, devido ao fim do regime forçado da escravidão, secundado pela necessidade de atender a crescente demanda pelo produto no mercado mundial. Esse adicional contingente de força de trabalho, portanto, chegava numa boa hora.
Até o início da 2ª. Guerra Mundial, desembarcaram no Brasil, algo em torno de, 190.000 japoneses! Desses, apenas 10% retornaram ao Japão.
Ficaram aqueles que, após anos de sacrifício, muitos no árduo trabalho da agricultura, isto é, no êito da enxada, construíram uma vida estável e profícua. Criaram raízes, constituindo famílias, miscigenadas com brasileiros, num mosaico racial de rara beleza. Os nipo-brasileiros são, geralmente, indivíduos de porte esbelto e de especial charme, que fazem sucesso, inclusive, na terra dos seus ancestrais.
Ao se radicarem no Brasil construíram, então, uma das mais sólidas amizades binacionais que se tem noticia no mundo. Vivem hoje, no Brasil, aproximadamente, 1,5 Milhão de descendentes, além de alguns remanescentes, ainda, do fluxo migratório. O Brasil tem a maior comunidade nipônica fora do Japão.
São brasileiros de olhos apertadinhos que vêm dando uma inestimável contribuição ao desenvolvimento do Brasil – nos mais diferentes domínios sociais e econômicos – e nosso país, indiscutivelmente, não seria o que está aí, não fosse a presença do imigrante nipônico.
Tradicionais produtores agrícolas, no Oriente, introduziram novas formas de cultivo da terra e uma imensa gama de novos produtos entre grãos, frutas e hortaliças, antes desconhecidas. Devemos a eles, por exemplo, a introdução da soja na agricultura brasileira, que atualmente responde por 20% das nossas exportações agrícolas.
A eles devemos, também, uma imensa variedade de hábitos alimentares, pratos e especiarias trazidas do Oriente, que mixados com produtos brasileiros adicionaram um toque especial ao que já se denomina gastronomia nipo-brasileira. A culinária japonesa tomou conta de expressiva fatia do mercado de restaurantes, no país inteiro, com uma impressionante aceitação, sobretudo entre os clientes mais jovens.
Mas, não fica por aí. Nas artes – cinema, literatura, jardinagem, pintura, cerâmica, escultura e arquitetura – na ciência e tecnologia, no esporte, entre outros domínios, inclusive na política e administração pública, a presença dos nissei (2ª. geração), sansei (3ª. geração), yonsei (4ª. geração), gosei (5ª. geração) , rokusei (6ª. geração) é, indiscutivelmente expressiva.
A concentração dos imigrantes está no estado de São Paulo. Na capital paulista, ruas, vilas e bairros, como o da Liberdade (vide foto ao lado), denunciam de forma efetiva a presença nipônica no Brasil.
Além de São Paulo, os imigrantes japoneses e seus descendentes marcam presenças em vários outros estados do País, entre os quais Paraná, Pernambuco, Pará e Bahia.
Em Pernambuco, onde vivem aproximadamente 2.000 nipo-descendentes, o destaque vai para a Colônia do Rio Bonito, no município de Bonito, que é um belo exemplo da presença japonesa, entre nós. A Colônia completa 50 anos, coincidentemente, este ano. Graças a eles Pernambuco é hoje um dos maiores (alguns garantem que é o maior) produtores de inhame do país, com imensa valorização no mercado internacional, dadas as propriedades, inclusive medicinais, do produto. Lá é também produzida uma colorida variedade de flores que adornam a vida de pernambucanos e nordestinos.
Tenho uma aproximação muito grande com a comunidade japonesa local, pelo fato de ser ex-bolsista no Japão e presidir a Associação Nordestina de ex-Bolsistas e estagiários no Japão – ANBEJ. Por quase três meses estive, nos anos oitenta, na Terra do Sol Nascente, participando de um programa de capacitação técnica, ocasião em que, por sorte, terminei conhecendo a maior parte do país. Foi uma experiência fantástica e, sobretudo, inesquecível. Viajei pelo arquipélago japonês de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Provei de um mergulho cultural que, de modo definitivo, marcou minha vida. Falarei, disso, numa próxima oportunidade.
Neste centenário da imigração japonesa, nossas homenagens e agradecimentos a esses sagazes irmãos, pela contribuição ao desenvolvimento sócio-econômico brasileiro.

Nota: Dedico este artigo ao atuante Cônsul Geral do Japão, no Recife, Toshio Watanabe e sua delicada esposa, a Sra. Keiko, que coordenam com competência os festejos do centenário no Nordeste, entre o Ceará e a Bahia.

As fotos foram obtidas no Google Imagens, salvo a da barquete com iguarias japoneses, que é da autoria do blogueiro, tomada em um restaurante tipico da Liberdade, em S. Paulo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O PECADO DE SER NORDESTINO

É impossível ficar alheio aos recentes acontecimentos na esfera do futebol, envolvendo times de Pernambuco e do Sudeste. Uma disputa que foge do seu natural campo, isto é, o verde gramado e passa a rolar no chamado “tapetão” do tribunal de justiça desportiva, na mídia e na rua.
O que estão fazendo com o Náutico é uma vergonha nacional. Não se admite que um jogador inexpressivo, de um time carioca, somente porque vem do que eles chamam de Sul Maravilha, chegue aqui, desrespeite jogadores adversários, público e autoridade policial e queira sair como vitima.
É inadmissível, também, que uma imprensa parcial, de veículos de comunicação poderosos e de penetração nacional, fique pugnando em favor de times visivelmente incompetentes, somente porque são times paulistas ou cariocas.
Francamente, é levar o preconceito contra nordestino às raias da loucura.
Brincam com uma massa de brasileiros, torcedores fanáticos, que, movidos pela emoção da disputa, perdem o controle e são capazes de cometer qualquer tipo de crime contra o próximo ou à sociedade como um todo, resultando em prejuízos não, apenas, ao adversário próximo, mas à Nação, é claro!
Fiquei sabendo de casos, nesses últimos oito dias, com pernambucanos que foram hostilizados e, até, prejudicados profissionalmente, em São Paulo, em decorrência do recente episódio do Estádio dos Aflitos e diante da possibilidade de vitória do Sport Clube do Recife, diante do Corinthians, na final da Taça Brasil.
Indiscutivelmente, estamos diante de uma campanha orquestrada, sobretudo, pela imprensa do Sudeste, contra dois times do Nordeste, precisamente de Pernambuco, que vêm fazendo brilhantes campanhas, nos campeonatos nacionais, coisa que – na míope opinião sulista – jamais poderia acontecer. É doloroso... e, o pior é que, nessa onda, terminam por incriminar torcedores, clubes, sociedade e governos. Quanta estupidez.
É uma lástima quer isso venha persistindo num Brasil do século 21! É uma lástima que a Nação Brasileira permita tamanha barbaridade. Somos um povo, abençoado por Deus, vivendo num “continente”, rico e grandioso, unido por um único idioma, que facilita a comunicação interna (sendo usado indevidamente, por muitos, é verdade), com uma riqueza cultural invejável e apaixonante, uma história limpa e sem traumas, um quadro natural exuberante, um povo dócil e, sobretudo, alegre pela própria natureza.
Enfim, este é um país no qual a amizade e cooperação, entre as regiões e estados, devia ser melhor cultivada e, inclusive, capitalizada politicamente.
Nesses momentos de estresse e de disputa – entre irmãos – surgem, logo, vozes defendendo a independência do Nordeste. Ou seja, apontam para um movimento separatista, sem chances, acredito sempre, mas que arranham a alma nacional.
Interrompi a redação destes comentário, momentos antes da partida decisiva entre Sport e Corinthians, na Ilha do Retiro, noite de ontem. Sou rubro-negro, daquele grupo moderado, que valoriza a disputa, sem paixão exacerbada. Pronto para ganhar e aceitando a derrota, quando do apito final. Recebi um ingresso-convite para assistir de camarote a partida, mas, passei adiante, face às ameaças dos corintianos, feitas pela televisão, de quebrar, matar e morrer, se não entrassem no estádio. Eram integrantes de uma tal de Torcida Fiel. Os ingressos estavam esgotados, muita gente do lado de fora e forte esquema policial em ação. Em situações dessa natureza estarei sempre fora. Resolvi assistir ao jogo, pela TV.
Diante do televisor, indignei-me com os comentaristas esportivos do Sul, de uma poderosa emissora, incensando o time paulista e dando como certa a vitória. Tenho a impressão que um comunicador de massa deve ser, antes de tudo imparcial, equilibrado e elegante. Não foi o que vi. O sujeito fazia aquilo sem sentir! Alienado totalmente! Era revoltante assistir tudo aquilo. Meu filho cortou o som do televisor e colocou o da rádio local, para que pudéssemos ter mais conforto. O mesmo se deu no intervalo do jogo, quando os pernambucanos já ganhavam o jogo, por 2 X 0. Eles estavam incrédulos e visivelmente esperançosos.
Ao final do embate, com a vitória retumbante do Sport Clube do Recife, arrebatando a cobiçada Taça, vibrei e emocionei-me com a alegria dos meus filhos, também rubro-negros, um ao meu lado e outro no estádio. Mas, não deixei de escutar os comentários pálidos, feitos pelos mesmos comentaristas esportivos sulistas, sob impacto da derrota, nunca antes admitida e dura de ser engolida.
Imagino que, nas próximas horas, irão surgir criticas à arbitragem, sugestão de que o Sport, ganhou roubando, que os jogadores do Corinthians entraram em campo inseguros por estar em Pernambuco, entre outros argumentos. Serão, caso ocorram, desculpas de derrotados.
O time pernambucano ganhou com galhardia, fez uma campanha irretocável, colocou o coração nas chuteiras, provou que a raça do Leão do Norte está mais viva do que nunca. Provou que é brasileiro e, por isso, bom de bola.
Tomara que nossos irmãos paulistas e cariocas tomem isto como lição e entendam que, o fato de ser nordestino não se constitui num pecado.
Na verdade, a vitória do Sport deve ser vista como uma vitória do Nordeste, e lembrar que sem ele o Brasil não seria brasileiro.
Chega de preconceito! Viva o Nordeste e viva o Brasil, unido e coeso.

Nota: a foto foi obtida na Globo.com

Esta crônica dedico ao meu filho José Antonio Brazileiro, rubro-negro de corpo, tripas e alma, que nestas horas está gozando a alegria de campeão e me exigindo seguir, junto com ele, o time, na jornada da Libertadores, numa partida - dado como certa, por ele - na Bomboneira, em Buenos Aires, contra o Boca Juniors. Tomara...

terça-feira, 10 de junho de 2008

UMA PARADA NA PÁTRIA-MÃE

O que, em principio, sugere ser um incômodo, a parada em Portugal – na ida ou na volta – termina sendo um agradável momento para quem sai do Recife com destino a qualquer ponto da Europa. É, sem dúvidas, a mais confortável maneira de chegar ao Velho Continente. São apenas sete horas de vôo até Lisboa e, depois, poucas horas para a maioria das grandes cidades européias. Geralmente com imediatas conexões.
Mas, tendo tempo, o melhor mesmo é ficar por lá um ou dois dias e curtir as belezas de um país, que, por óbvias razões, recebe de modo especial a nós brasileiros.
Portugal está debruçado sobre o Atlântico nas beiradas do Continente, razão pela qual foi, durante muito tempo, tido como sendo o fim do mundo. Dali prá frente tinha-se apenas uma imensa e misteriosa massa d´água salgada recheada de lendários monstros e ondas revoltas, pondo medo a todos os seres vivos que até ali chegavam. A coisa somente mudou de figura quando Cristovão Colombo e um destemido navegador português, Pedro Álvares Cabral, avançaram mar adentro e o portuga, numa lufada de sorte e feliz acaso, deu de caras com a Terra de Santa Cruz, depois denominada Brasil. Esta é a história oficial. Há controvérsias. Mas... Deixa pra lá.
A brisa do Atlântico varre o país por inteiro e semeia nele um clima arejado e de suave frescor.
Lisboa, a capital do país, é uma das mais agradáveis cidades que conheço. Por sorte, estive por lá duas vezes, nos últimos seis meses.
O centro histórico da cidade pega qualquer visitante tupiniquim pelo pé. Pensando bem, para entender melhor a história do Brasil é muito interessante ver e visitar pontos históricos de Lisboa. Não faz muito tempo comentei sobre o livro 1808, que conta a chegada da família Real Portuguesa ao Rio de Janeiro e a transformação do Brasil num Reino Unido a Portugal. Passando, pelo cais de Belém, nas margens do Rio Tejo, que nasce na Espanha e lava Lisboa, lembrei-me da fuga de D. João rebocando a rainha mãe, D. Maria I, a Louca, toda atrapalhada, segurando os trapos reais e reclamando da correria, na cabeça dela desnecessária, “porque, afinal, ninguém está a fugir, pá!”. E, as tropas de Napoleão na cauda do manto real.
No mesmo cais de Belém, uma parada diante do Monumento aos Navegadores para lembrar que dali partiu Cabral. Mais adiante, uma parada diante do cartão-postal símbolo da cidade, a Torre de Belém. Entre esses dois pontos, lembrar de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, diante do hidroavião com o qual fizeram a primeira travessia aérea do Atlântico, partindo daquele ponto e vindo parar no Recife, no cais de Santa Rita, em 1922.
Dali, é chegada a hora de degustar os famosos Pastéis (de nata em massa folhada) de Belém, produzidos há mais de um século. (Vide foto ao lado) Isto é uma tradição de um pedaço da cidade que guarda outras jóias históricas como o belíssimo Mosteiro dos Jerônimos e o precioso Museu dos Coches. Imperdível.
História à parte, ocorre-me lembrar o prazer de caminhar pela bela Lisboa.
Para muitos o coração da cidade está na rotunda do Marques de Pombal. E não estão errados. Estrategicamente situada, semelhante ao Arco do Triunfo, em Paris, a Rotunda do Marques é ponto de partida para os quatro cantos da cidade, com amplas e pomposas avenidas. A sua retaguarda, o Parque Eduardo VII oferece ao lisboeta e aos visitantes um dos mais belos jardins da Europa, plantado num terreno que se eleva na medida em que se afasta da Rotunda, proporcionando em qualquer das duas extremidades paisagens de beleza singular.
Na direção do Tejo, para onde o Marques está a olhar permanentemente, abre-se a mais larga avenida da Europa, a Avenida da Liberdade, com suas construções neo-clássicas, de altura uniforme, reunindo um conjunto arquitetônico dos mais elegantes. Descer caminhando esta avenida é, indiscutivelmente, um grande deleite para o turista, observando as lojas e magazines, bancos internacionais, hotéis de luxo, restaurantes, clubes noturnos, entre outros. A Liberdade vai terminar quase num gargalo que dá acesso à Praça do Rossio, centro histórico da cidade, onde quem pontifica é a estátua de D. Pedro IV, que não é outro senão nosso D. Pedro I, que substituiu, no trono do Reino de Portugal, seu pai D. João VI. Nessa praça (Foto lá de cima), a sociedade portuguesa se encontra – ao final da tarde – para um happy-hour ou um agradável café, em tradicionais e seculares confeitarias. Dali, saem ruas de comércio da Baixa, todas muito “portuguesas com certeza”, seja pelo aconchego do lay-out, quanto pela gentileza dos comerciantes e comerciários. Rua Áurea, Rua da Prata e entre as duas a bela Rua Augusta, com seu belíssimo portal que dá para a ampla Praça do Comércio. Portas de Santo Antão e Rua dos Sapateiros, subidas à Cidade Alta feita por bondes, à moda antiga, por um lado, que levam aos bairros boêmios da Alfama e Mouraria e, por outro, que dá acesso aos Armazéns do Chiado e arredores, pelo elevador de Santa Justa. O elevador é tombado pelo patrimônio histórico e está sempre muito concorrido, sobretudo com turistas que acodem ao seu irrecusável chamado, para ver a cidade lá do alto. Nada mais agradável do que, lá em cima, tomar um drink no barzinho, chamado Céu de Lisboa, apreciando a paisagem da cidade, o Castelo de São Jorge, a Praça do Rossio e os telhados dos prédios seculares.
Mas, Lisboa se desdobra em muitas outras atrações, como o moderno Parque Expo, local da Exposição Mundial de 1998, com seu conjunto de equipamentos turísticos, incluindo o mais moderno dos oceanários do mundo, um teleférico, centro de compras, hotéis etc. Ao fundo a moderníssima ponte Vasco da Gama.
Por fim, uma referencia à mesa portuguesa, pois! Neste item, o bacalhau (Vide foto ao lado) é a melhor pedida. Deus me livre sair de Portugal, sem curtir esse sabor. É o melhor deste planeta. Noutros, não sei, porque nunca lá estive. O assado na brasa, acompanhado das típicas batatas aos murros, regado com azeite d´oliva e arredondado com um bom vinho nacional, claro, é de comer ajoelhado. O preparado pela Marisqueira Santa Marta, eu garanto. Desse modo, a parada na Pátria-Mãe é providencial e sempre oportuna.

NOTA: Eu já não tinha mais intenção de falar de viagem, de Itália ou qualquer coisa relativa a esta recente viagem à Europa. Mas, o sucesso dessas matérias, entre os leitores e, a pedidos desses, escrevi sobre esta passagem por Portugal.
As fotos são do blogueiro.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CAMELÔ FASHION INTERNATIONAL Inc.

Parece uma grande organização com filiais no planeta inteiro. A maior cadeia varejista da terra. Os camelôs estão por todo lado. Os “estabelecimentos” têm o mesmo padrão e “linhas arquitetônicas”, seja qual for o local.
Por andei na Itália, começando por Roma, a coisa não é diferente. O país, como um todo, é um paraíso para o mercado ambulante, face ao movimento turístico e a crescente procura pelos produtos ofertados. Coibir, segundo os italianos, é uma missão impossível.
Em Roma, eles estão, por toda parte, oferecendo uma infinidade de bugigangas artesanais e industrializadas, enlouquecendo os comerciantes formais. Tem de tudo. Lenços e foulards, gravatas e meias, calçados, bolsas e maletas, calcinhas, cuecas e roupas de banho. Sandálias havaianas do Brasil! Camisas da seleção brasileira, do Flamengo e do Corinthians e camisas sociais, produzidas na China, as últimas bem embaladas, imitando grifes famosas, sobretudo as francesas e italianas. Tem também vestidos de paetês, plumas e casacos de pele sintética horrorosos. É, sem dúvidas, um mercado dinâmico e sortido. Não falta nada!
O turista de grana curta ou desavisado (alguns avisados, também) renova seu guarda-roupa rápido e em conta. Aliás, tranqüilo e se achando o máximo. Tem sujeito que vai à Itália, compra uma gravata de gosto duvidoso e seda sintética Made in China, amarra no pescoço, todo contente, e volta se vangloriando de estar usando uma legitima italiana. Paciência...
Em Roma, entrei numa loja especializada e questionei a proprietária quanto ao tecido, à qualidade e o preço da gravata que desejei. Ocorre que achei barato, para uma boutique, na sofisticada Via Sistina. Em resposta, recebi um verdadeiro sermão da dita mulher: “esta gravata, meu Senhor, é feita a mão com legítima seda italiana, agora produzida com baixo custo e apoio de uma associação de fabricantes que combate o comercio das ordinárias produções chinesas!” Dando asas à conversa, fiquei sabendo da revolta e desse contra-ataque dos italianos às fajutas gravatas chinesas, em defesa, naturalmente, de uma tradição italiana e orgulho nacional.
Portanto, indo à Itália, não caia no conto da gravata italiana, Made in China. E se cair na tentação, por favor, volte contanto honestamente a sua opção.
Outra coisa, que é bom prestar atenção: se a tentação for maior do que sua força de vontade e lhe colocar diante de uma das barracas de roupinhas mais jeitosas, com cara de moda brasileira, na Praça da Stazione Termini, na entrada da Via Cavour ou proximidades da Fontana de Trevi, ou qualquer outro local, preste muita atenção, porque pode ser, até, da Sulanca de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama ou, então, Made in Ceará. Naquele “Babel”, nunca se sabe.
Essa situação se repete em muitas outras importantes cidades italianas como Florença, Milão, Nápoles, Verona e Veneza.
Mas, minha maior surpresa foi em Bolonha. Lá, o governo local, impotente diante da avalanche de ambulantes e querendo limpar as ruas do centro histórico, resolveu ceder, a cada fim-de-semana, uma imensa praça, à margem da principal rua da cidade, a Via Independenza, para a livre comercialização de importados, muita muamba, é claro. Milhares de imigrantes asiáticos baixam na cidade com robustas vans e caminhões baús super-estruturados, que se transformam em verdadeiros magazines, para movimentar um feirão que, a meu ver, deixa o Feirão da Sulanca, de Caruaru, no chinelo.
Para matar minha curiosidade, fui olhar de perto aquele incrível movimento (Vide fotos). Os preços são arrasadores e a pirataria come no centro.
Uma coisa, porém, salta aos olhos do visitante: ambulantes italianos vão à mesma praça e entram no confronto, numa luta, aparentemente sem trégua, para vender suas produções: malhas, roupas, artesanatos, bijuterias, artigos para a toalete, gravatas e lenço, entre muitos outros itens. Para estabelecer uma diferença, estampam, com ostensivos letreiros, que estão vendendo produtos genuinamente italianos. É, portanto, uma guerrinha, no comércio underground italiano, entre imigrantes e nativos.
Voltei ao hotel “zonzo” com o movimento, o falatório a la italiana e pasmo pelo que observei, em plena Europa.
Minha conclusão é que este quadro, acima descrito, reflete o grau de pobreza da grande maioria da população mundial, que na busca de meios de sobrevivência, forma uma corrente migratória descontrolada, vivendo na marginalidade, nos grandes centros urbanos dos cinco continentes e sem oportunidade de emprego formal entra no mercado da muamba.
No Brasil, o exemplo mais conhecido desse tipo de comercio é o da Rua 25 de Março, em São Paulo. No popular "vuco-vuco" do bairro de São José, no Recife, a situação também se reproduz e, segundo fui informado, está crescendo rapidamente.
Chineses, coreanos, indianos, africanos, entre outros, estão espalhados pelo planeta movimentando a mega-rede da Camelot Fashion International Inc.
Pensando bem, isto também é globalização econômica.

Notas: (1)As fotos são da autoria do Blogueiro e foram todas tomadas no Feirão de Bolonha.
(2) O Blogueiro esteve na Itália em missão oficial do Sindicato das Indústrias Metalurgicas, Mecanicas e de Material Elétrico do Estado de Pernambuco - Simmepe

sexta-feira, 30 de maio de 2008

SAN MARINO – República da Liberdade (Pé no Mundo Serie 2 No. 4)

Cidade-Estado, pincipado, países minúsculos, sempre exerceram muito fascínio na minha cabeça de viajante. Para quem vive num país de dimensões continentais, como o Brasil, percorrer um outro em poucos minutos ou num par de horas é, sem dúvidas, uma experiência pouco comum. É o que sinto, por exemplo, ao entrar no Vaticano ou em Mônaco. Ou quando passei pelo Liechtenstein e Andorra.
Movido por esse tipo de interesse, não tive dúvidas de visitar, nesta minha última viagem à Itália, a República de San Marino. Um enclave no território italiano.
A trajetória entre Bolonha e Rimini, na costa do Mar Adriático, Leste da Itália, foi vencida em mais ou menos uma hora, num confortável trem Inter-City. Dali até San Marino foi um salto. Num moderno ônibus de linha, que parte da frente da estação ferroviária italiana, o visitante alcança a mais antiga república da Europa, a República de San Marino.
O país, encravado no território italiano, entre as províncias da Emília-Romana e Marche, tem apenas 60 km², divididos entre nove municípios – o que corresponde a nove castelos – esparramados sobre o Monte Titano, de cima do qual se avista o país inteiro.
Segundo a história, na verdade é uma lenda, San Marino foi fundado no Século IV, por um eremita, com um grupo de seguidores, que se afastaram no monte, fugindo de perseguições. Desde o século XII o país tem uma sólida estrutura política, baseada num estatuto, transformado na atual Constituição, capaz de suportar crises provocadas por forças endógenas e exógenas.
No século XVI foi ocupado por César Bórgia. Várias vezes os Estados Pontifícios tentaram anexar a república. Quando Napoleão invadiu a Itália respeitou a independência da republica e ainda propôs a ampliação do território. Isto foi no final do Século XVIII. Após as guerras napoleônicas, em 1815, o Congresso de Viena reconheceu a soberania do País.
Durante o século passado problemas políticos envolvendo membros dos partidos comunistas e socialistas impuseram várias crises, sem que qualquer dessas pusesse em risco a autonomia da velha república.
Mas, deixando a história de lado, minha experiência atesta que percorrer San Marino é uma das mais interessantes visitas do gênero. Não suplanta, é verdade, a beleza de Mônaco, mas é, no seu todo, um conjunto de castelos parecidos com os dos contos de fada ou tirados dos filmes de Walt Disney. As ruas são estreitas e repletas de arcadas e sólidas construções de pedra e cal. Lojas, bares e restaurantes preenchem esses espaços, fazendo a alegria do visitante e mantendo a base econômica local. Como se trata de uma zona de livre comércio, tudo que se comercializa por lá é, mais ou menos, 40% mais barato do que na Itália, ali bem juntinho. Ao lado disso, a paisagem que se descortina do alto, com Mar Adriático ao fundo e as belas construções locais, compõe um mix dos mais atrativos para o turista.
O ônibus que faz linha internacional, entre a Republica e Rimini, não tem como chegar ao topo do Titano e, por isso, a partir de certo ponto um teleférico transporta as pessoas até o centro da Vila San Marino, lugar central do País. Preferi subir, aos poucos e a pé, valendo-me de ladeiras e escadas, parando aqui e acolá, examinando lojas e degustando bebidas ou petiscos oferecidos nas casas comerciais, até atingir o alto do Monte.
Do alto do monte, pude dizer que vi uma republica por inteiro, num abrir e fechar de olhos, com uma paisagem que, no Brasil, costuma-se dizer ser parecida com um presépio.
Naturalmente que tudo aquilo tem um que de Itália. No idioma, na gastronomia, nas manifestações artísticas e no modo de ser, o samarinês se espelha no italiano, preservando, contudo, sua independência e sua história secular de liberdade.
Giuseppe Garibaldi, O Homem dos Dois Mundos, depois de lutar pela liberdade no Sul do Brasil, Uruguai e durante as lutas pela unificação da Itália, se exilou em San Marino. Encontrei por lá, em praça pública, uma placa em mármore assinalando o agradecimento de Garibaldi pela acolhida recebida.
Na entrada do país um grande portal sustenta um letreiro que diz “Bem-Vindo a Terra da Liberdade”. Isto, indiscutivelmente, transmite uma sensação de bem-estar.
As fotos e clip desta matéria - da autoria do Blogueiro - ilustram a descrição deste singular país.
Clique abaixo e sinta a sensação de um passeio relâmpago em San Marino. Duvido que não sinta vontade de arrumar a maleta e ir até lá. Boa Viagem!


terça-feira, 27 de maio de 2008

VERONA, ALÉM DE ROMEU E JULIETA (Pé no Mundo – Serie 2, No. 3)

A primeira coisa que Verona lembra é o fato de ser o cenário da peça dramática "Romeu e Julieta", imortal obra de William Shakespeare. A cidade, de algum modo, faz disso um forte apelo turístico e importante suporte de comércio.
Como turista é, muitas vezes, bicho besta e cede aos apelos, por mais piegas que seja, Verona deita e rola em cima dos visitantes. Eu me incluo nesse grupo de babacas, digo logo. Por exemplo: entrei numa fila, confesso, para tirar uma foto afagando o peito de uma estátua de bronze, somente porque a dita cuja lembra a personagem de Julieta.
Afagar o peito desgastado daquela estátua, pensando depois, é um detalhe totalmente dispensável, diante da beleza daquele lugar. Caindo em mim, verifiquei que melhor, que esse afago metálico e frio, é admirar a casa que segundo dizem foi onde viveu a jovem apaixonada, da obra de Shakespeare. Uma construção medieval das mais belas da cidade. Por bom tempo, fiquei ali olhando cada ângulo da construção, cada porta e janela e as sacadas – incluindo a do quarto de, com todo respeito, Juju (Vide foto a seguir), de onde ela acenava para seu “príncipe encantado” – outro local, aliás, disputado para uma foto. Esse casarão, uma vila na verdade, fantástico é certamente um prefeito exemplo do conjunto arquitetônico da cidade.
Verona, situada na Província do Vêneto, é uma coisa belíssima. Caminhar pelas suas ruas históricas, entrando pela Piazza Bra, e enveredando pelas vias que nela nascem é, na prática, entrar num mundo que começou a ser construído há muito mais de 2000 anos, pelos Celtas e depois pelos romanos que chegaram por lá no ano 89 da Era Cristã. Nessa época a cidade tinha o nome Augusta.
Somente em 1866 é que Verona foi incorporada ao Reino da Itália, depois da Terceira Guerra de Independência Italiana. A cidade foi, durante muito tempo, o principal centro artístico do país, rivalizando com Florença, por ter uma importante escola pictórica, na qual se destacou o pintor Paolo Veronese. Percorrendo a cidade encontram-se nas fachadas de muitas construções medievais afrescos de rara beleza, até hoje preservados pelo patrimônio histórico, como aqueles da Praça Delle Erbe. (Vide foto ao lado)
Mas, partindo da citada Piazza Bra, a primeira coisa que se avista é o imponente Anfiteatro Romano (Arena de Verona, que lembra o Coliseu de Roma) onde são levadas durante o anual Festival de Verão, grandes óperas, monumentais concertos e exibições fantásticas dos Pavarottis da vida. Quem tiver oportunidade de passar por lá, numa dessas ocasiões, gostando do gênero, vai certamente assistir ao espetáculo inesquecível da vida. Para a próxima temporada, que começa em junho entrante, vi anunciadas, num grande cartaz: Aida, Tosca, Nabbuco, Carmem, Rigoletto e, para fechar a temporada, a apresentação de Gala de Romeu e Julieta, no mês de agosto. Deu vontade de ficar esperando na praça o espetáculo começar e só sair de lá quando apagassem os últimos refletores.
Passada a Arena, a rua mais movimentada que nasce na praça, a Via Giuseppe Mazzini, surge num canto, de portas abertas, com um convite irrecusável para o visitante entrar. Este, aliás, é o caminho que leva à Via Cappello, onde morava Julieta. Haja turista nessa rota. Ali se ouve toda sorte de idiomas, circulam pessoas de todas as raças e hordas de ambulantes abordam os visitantes sem cerimônia. São engraçadas, embora de gosto duvidoso, as figuras caracterizadas com trajes de época que vendem a imagem para uma foto com o turista, a Euros 5,00 por cada clik da câmera. E tem gente que dá o maior valor por uma foto com uma dessas.
Nessa Via Mazzini se concentram as mais sofisticadas casas de comércio da cidade. Negócios de grifes famosas e tudo de altíssimo luxo. É preciso ter muitos Euros na carteira para encarar qualquer daqueles balcões. As vitrines enchem a vista, até mesmo do cidadão mais resistente ao consumismo. É que, o negócio é pura tentação... E, como sempre na Itália, bom gosto indiscutível.
Uma visita ao Centro Histórico de Verona termina quase sempre na Piazza delle Erbe, diante do Pallazo Maffei e a dois passos do Palazzo della Ragione com uma escada famosa, na qual todo visitante posa para a posteridade.
O rio Adige corta a cidade e sobre este, anexo ao Castelo Vecchio, passa uma ponte de rara beleza, datada do tempo dos romanos. Vale à pena uma esticada até lá.
Nem precisava registrar, mas, é bom saber que em Verona come-se muito bem, também. Lá servem uma pizza de massa robusta, típica da região. Não me agrada, mas tem gente devorando as porções como se estivesse comendo a melhor pizza do mundo ou nunca esteve em São Paulo. Nessa visita, comi uma lazanha deliciosa, (parecida, aliás, com a da Dom Gennaro, aqui do Recife), com um vinho da região.
Valeu, meu domingo, 18 de maio de 2008, em Verona.

Nota: Fotos do Blogueiro.





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