sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Reféns da Polarizção

Após muitas idas e vindas, dúvidas e desencontros, tensões e rangeres de dentes, as campanhas eleitorais começam, prá valer, neste domingo,16 de agosto. Por tudo quanto assistimos, nesses dias de pré-campanha, emoções muito maiores irão rolar e a luta ferrenha pelo poder mostrará suas garras, seus perrengues e as gravidades que o processo poderá revelar ao longo da jornada. Serão, aproximadamente, sessenta dias nos quais milhões de brasileiros conviverão com um ambiente de estresse e questionamentos, pavimentando seus caminhos às urnas para escolher seus representantes na cúpula alta do Poder.Como qualquer brasileiro responsável, considero que será um momento importante para que a Democracia Nacional se confirme, bem como uma preciosa oportunidade para que a Nação reflita sobre um fenômeno que, há alguns anos, vem contaminando a vida pública nacional: a polarização política. Não sou ingênuo e sei que, naturalmente, a divergência de ideias é saudável. A História revela que, em toda sociedade democrática, existem diferentes visões sobre as dimensões sócio-políticas, sobremaneira as da economia, saúde, educação, segurança publica, política externa. E no Brasil não podia ser diferente. Contudo, no nosso caso, o problema tronou-se extremamente complexo porquanto as divergências deixaram de ser fatores que visem ao aperfeiçoamento das decisões coletivas e benéficas à Nação e passaram a ser uma luta ferrenha pelo Poder. O país está dividido em dois campos que se enxergam com crescentes desconfianças e eivados de princípios ideológicos, nem sempre bem interpretados. O debate de ideias, a rigor, desapareceu, sendo substituído por ataques, inclusive pessoais, produzindo um ambiente perverso, jogando o interesse nacional para um plano inferior e muitas vezes esquecido. Em suma, estamos reféns de uma polarização danosa e irresponsável. É desesperador notar que projetos importantes deixam de avançar simplesmente porque foram propostos pelo “outro lado”. O mérito da proposta torna-se menos importante do que a identidade de quem a apresentou.
Ora, minha gente, nenhuma democracia madura prospera dessa maneira. As grandes nações conseguem avançar justamente porque, apesar das diferenças ideológicas, preservam alguns consensos fundamentais: o respeito às instituições, à Constituição, à alternância de poder e, sobretudo, ao diálogo. Há um bom tempo, nada disso vem ocorrendo por aqui. É evidente que eleições despertam paixões. Sempre foi assim e continuará sendo. O voto envolve convicções profundas, expectativas e sonhos. Contudo, a paixão política não pode eliminar a capacidade de ouvir quem pensa diferente. O politico brasileiro precisa entender isto. A polarização que hoje se verifica no Brasil tem levado ao desperdício de oportunidades preciosas. O país não avança. A sociedade tende a empobrecer cada vez mais, a indústria definha, o dinâmico agronegócio vem perdendo competitividade, a insegurança campeia de norte a sul, a infraestrutura se deprecia e assim por diante. Não vou mostrar dados. Eles estão abertos a toda hora pelos meios de comunicação. Bem observados é fácil constatar que os índices recentes têm revelado níveis nada apreciáveis. O mais lamentável é que o Brasil possui desafios suficientemente grandes para que desperdicemos tempo alimentando antagonismos permanentes. Este país precisa de governos competentes, mas também de uma oposição responsável. Que surjam líderes capazes de convencer, e não apenas de vencer. Precisamos, sobretudo, de cidadãos dispostos a colocar o futuro do país acima das preferências partidárias. Neste início de campanha eleitoral, talvez valha a pena recordar que adversários políticos não são inimigos da Pátria. O eleitor tem o direito — e o dever — de escolher o candidato que considere mais preparado. Mas também tem a responsabilidade de rejeitar o discurso do ódio, da intolerância e da desumanização daqueles que fazem escolhas diferentes. As eleições passam. Os governantes mudam. Os partidos se renovam. A Nação, porém, permanece. E ela somente será mais forte se conseguir recuperar uma virtude que parece cada vez mais rara na vida pública brasileira: a capacidade de discordar sem destruir, debater sem ofender e construir sem dividir. Que esta campanha seja uma oportunidade para elevar o nível da discussão política. NOTA: Ilustração obtida no Google Imagens.

Um comentário:

Cláudio Targino disse...

Seria a receita para curar as doenças crônicas do nosso país.

Reféns da Polarizção

Após muitas idas e vindas, dúvidas e desencontros, tensões e rangeres de dentes, as campanhas eleitorais começam, prá valer, neste domingo,1...