sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

VIVA O FREVO!

Sei não... aqui estou eu, outra vez, preocupado com o que vem acontecendo com o carnaval do Recife. Aliás, o carnaval não, o frevo, em especial.
Quando, ano passado, comentei neste Blog que estavam acabando com o frevo, numa postagem feita no dia 07 de fevereiro, (reveja clicando: http://gbrazileiro.blogspot.com/2009/02/acabaram-com-o-frevo.html ) recebi uma serie de comentários concordando e/ou discordando da minha opinião. Ou seja, percebo que não existe, na prática, um consenso a respeito de uma defesa do genuíno ritmo do carnaval pernambucano. Isto é uma lástima.
Este ano – gostaria de estar enganado – vejo que a coisa, digamos, piorou. Esta semana ouvi e li vários comentários na mídia local sobre a ausência total de novas composições e quem desejar ouvir ou dançar ao som desse vibrante ritmo pernambucano tem que se contentar com as produções dos antigos carnavais.
Agravando minhas reflexões, ouvi, de viva voz, outro comentário desairoso, também esta semana, saído da boca de uma integrante da comissão de organização do tradicional Bal Masquê do Clube Internacional: “ah! O baile deste ano vai ser um estrondo! Acabamos com aquelas velharias que mandavam na festa, tiramos o traje a rigor (tudo bem, com o calor reinante, é justo) profissionalizamos a organização entregando a uma empresa de eventos, que, inclusive, veja que beleza, contratou uma banda baiana – com uma tal de Margareth Menezes comandando – e o resultado você vai ver. Não deixe de ir, viu?”. Confesso que fiquei pasmo com aquela declaração. Conclusão: capitulamos ao Axé-Music! Tenha dó! Ela vem derrubar a tradição que pontificava até agora na mais antiga e tradicional prévia carnavalesca do Brasil. Que falta de responsabilidade...
Nem saudosista, nem contra a música baiana ou a cantora contratada. Não é nada disto! Minha insatisfação consiste numa constatação muito simples: estão acabando, mesmo, com nosso frevo.
E, da maneira que vai, nem memória vai sobrar para as futuras gerações tomarem conhecimento. Frevo não vai passar de uma marca de refrigerantes. Por enquanto, porque se os fabricantes aderirem à “modernização selvagem” pode mudar a denominação para Axé. Por que não? Vamos esperar...
Mas, também, pudera. Não se ouve mais falar em concursos de frevo ou frevo-canção, antes tão esperados e reveladores de novos valores locais, preservadores do nosso genuíno gênero musical.
Na esteira das minhas constatações, lembro com saudade os bailes do ontem, nos quais a ordem era tocar frevo, frevo-canção e as marchinhas carnavalescas, cantadas por todos num verdadeiro coral de cem, quinhentas, mil, milhares de vozes, encantando aos que faziam o verdadeiro carnaval pernambucano.
Saudosismo? Sim, neste caso, pode ser. Mas, quem não gosta de uma saudade sadia? Qual é o pecado de se batalhar pela preservação da identidade de um povo? O frevo, meus amigos, faz parte da identidade pernambucana.
E, olhem que não estou falando de outros inúmeros ritmos pernambucanos, como o maracatu – que é maravilhoso – também marca registrada do nosso carnaval.
O que seria de ritmos como o tango, a valsa, o rock! E outros mais se não fossem passados de geração a geração?
Pois é, não consigo entender essa passividade e, pior, essa falta de vergonha do pernambucano em geral que se deixa levar pelas modernidades duvidosas e alienígenas em detrimento dos próprios valores.
Abaixo essa passividade e as monstruosas idéias de mudanças radicais, fazendo, entre outras coisas, a promoção de um tal Carnaval Multicultural, que vem servindo para acabar com os reais valores pernambucanos. Nota zero para quem pensa assim.
Ao invés disso, aproveitemos e valorizemos a “prata da casa” entregando, somente a ela, o destino da nossa maior festa popular. Viva o Frevo!
Nota: Foto tirada do Google Imagens

sábado, 23 de janeiro de 2010

Miremos o exemplo chileno

Ando atento aos atuais movimentos políticos no Brasil, neste ano de eleições gerais, e prevejo um festival de baixarias como “nunca visto na história deste país”.
A sede pelo poder, tanto em nível local, quanto nacional, promete “brindar” à família brasileira passagens pouco comuns.
Mal começou o ano – e muito antes de começar a campanha oficialmente – o que já se vê são os palanques armados e o bateboca desmedido se multiplicando para gáudio da mídia voraz. Adjetivos chulos e desabonadores, é claro, começam a ser compulsados largamente, sem cerimônia e em profundo desrespeito ao eleitor e aos bons modos sociais.
Se em janeiro a coisa anda nesse pé, faço idéia do que podem ser os meses de campanha propriamente dita. Ainda bem que vamos ter uma Copa do Mundo nesse meio tempo que vai, de algum modo, empanar o noticiário político e, quem sabe, venha baixar o fogo da politicagem barata, que estamos vendo neste momento.
Bom seria que o clima da política brasileira se aproximasse do modelo chileno. Acompanhei o recente processo eleitoral naquele país irmão e pude observar passagens dignas de louvor, com demonstrações apuradas de uma democracia consolidada e amadurecida. Os dois candidatos que foram ao segundo turno, semana passada, não pouparam oportunidades de revelar, antes de qualquer coisa, amor e respeito ao Estado e à Nação. O remate do processo foi simplesmente brilhante: Michelle Bachelet, que presidiu o Chile, nesses últimos quatro anos, com fantástica aprovação de 81%, mesmo derrotada nas urnas ao não eleger seu candidato e ex-presidente Eduardo Frei, fez questão de se apressar e cumprimentar o vencedor Sebastián Piñera, mal encerrada a apuração das urnas, desejando sucesso à sua gestão. Por amor ao Chile e confiante na continuidade do processo de desenvolvimento sócio-econômico do país, o próprio Frei foi ao encontro da Piñera e, num gesto largo e com espírito democrático, posou para a imprensa mundial abraçando o vencedor e desejando sucesso.
Acontece que o Chile tem hoje uma sociedade desenvolvida, com forte inclusão das camadas mais humildes, graças a uma política que priorizou a educação e a saúde, nos governos recentes, após a nefasta era de Pinochet, o ditador sanguinário. Povo educado, com saúde e atuando socialmente sabe o que quer e leva ao sucesso democrático qualquer nação.
Comento tudo isto, a propósito do que vem ocorrendo, agora, no Brasil. Como ficaria a situação, caso Lula saísse derrotado nas urnas, digo, vendo sua fraca candidata – opinião pessoal – derrotada? Será que teria coragem de ir ao encontro do vitorioso e repetir os gestos de uma Bachelet ou de um Frei? Tenho dúvidas, mesmo sabendo da capacidade de contornar problemas que o Lula tem, embora que, esse não será um problema qualquer! Quanto a Dilma, esta poderá enfrentar muitas dificuldades. Segundo se comenta abertamente e relatos de conhecidos que já tiveram oportunidade de sentar à mesma mesa de reuniões, ela não engoliria facilmente uma derrota. Geniosa e temperamental, como demonstra ser, teria que fazer, das tripas, coração.Haja emoções. Aguardemos, né? Eis aí um desafio gigante: a propalada democracia brasileira passará por uma prova de fogo, em outubro vindouro. Tomara que prevaleça o equilíbrio emocional entre os partidários politicos e tenhamos um período de paz social e desenvolvimento econômico, que é certamente o desejo do povo brasileiro. E, como conselho, sugiro que miremos o exemplo chileno.
NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Zilda Arns: Um tipo inesquecivel

Ainda abalado com os acontecimentos, no seio familiar, nos primeiros dias deste 2010, fico mais pensativo do que nunca, quanto a vulnerabilidade do ser humano. Viver é uma aventura.“Para morrer basta estar vivo” sentencia um velho e popular aforismo. De fato, basta estar vivo! É a inexorável pré-condição que a malvada exige do ser humano.
Pus-me diante da TV, esses últimos dias, e tudo que vi passava por catástrofes e miséria. As imagens – nítidas e digitais – nos transportam de modo cruel às recentes cenas da destruição. Chocante o desastre do paraíso de Angra dos Reis. Quantas vidas foram ceifadas num abrir e fechar de olhos com o deslizamento daquele morro, em pleno réveillon. Meu Deus! Que horror! No Sul do país cidades inundadas, com prejuízos de vida e materiais. Morte, desespero e impotência humana.
Como se tudo isso fosse pouco, eis que explode nas telas da TV a noticia do terremoto no Haiti. Sinceramente, é preciso ser muito frio para não se emocionar diante daquilo tudo. “Fechou-se o tempo” e não se ouviu outra coisa a não ser os relatos assombrosos da situação no pequeno e paupérrimo país caribenho. Quase não consegui conciliar meu sono pensando naquela gente pobre, frágil em todos os sentidos e açoitada pela mãe natureza. Que tristeza! Que clamor!

O Haiti é famoso por ser uma nação esfacelada pela pobreza renitente e imaturidade política. Oprimida pela presença estrangeira, travestida de apaziguadora e com índices de qualidade de vida assustadores, resulta num dantesco e comovente drama. O que será dos haitianos depois dessa catástrofe? Há pouco tempo, vi numa reportagem a incrível imagem da mulher produzindo biscoitos de barro, para alimentar a família e vender na praça. Eles comem barro! (leia mais clicando na foto desta postagem) Meu Deus, tende piedade dessa gente! O país mais pobre do Ocidente, com 70% da população vivendo abaixo da linha da pobreza, entra o ano arrasado. Imagine que eles sobrevivem com menos de US$ 1,00 por dia. E isto é uma média. Imagine aqueles que estão abaixo dessa média. Inacreditável, que ocorra tudo isto ali bem perto de nós e em pleno século 21.
Certamente que já era uma dose muito forte, para quem, como eu, anda sob efeito de um episodio traumático de morte em família. Mas, outra notícia mais surpreendente estava por acender diante dos meus olhos: Dra. Zilda Arns foi vitima fatal do terremoto do Haiti, li num informativo pela Internet. Fiquei perplexo. Como? O que estaria ela fazendo por lá, justo naquele dia? Que coisa mais insólita! Por que meu Deus? Na condição de ser humano, senti-me frágil, minúsculo e ameaçado... É, foi isto mesmo. Os tais desígnios de Deus são muitas vezes intrigantes e cheios de por-quês. Viver é uma aventura, pensei outra vez e de imediato. Mas, que destino esse da Dra. Zilda! Ihhhh! Nem quero entrar nessa discussão de destino.
Conheci a Dra. Zilda Arns, aqui mesmo no Recife, num belo encontro do Rotary International, do qual faço parte com muito orgulho. Fiquei encantado com aquela Mulher (com M maiúsculo) brava e idealista, fundadora da Pastoral da Criança e responsável direta da surpreendente redução das taxas de mortalidade infantil, neste imenso Brasil. Sem muito alarde, com sua voz mansa, suave e convincente a Dra. Zilda, utilizou de métodos simples e econômicos para montar a maior rede de solidariedade, com trabalhadores e trabalhadoras voluntárias, salvando um imenso contingente de brasileirinhos ameaçados de morte pela desnutrição e doenças infantis, particularmente a diarréia. Cheia de projetos e imensa juventude aos 75 anos de idade, a guerreira Zilda tombou sob os escombros da destruição do Haiti. Guardarei sempre a imagem dessa Mulher. Um tipo inesquecível, que partiu sem tempo de beijar ou dar até logo às criancinhas que adorava e aos milhões de brasileiros que a reverenciava por onde passava. Pena que morreu sem que a víssemos com o Nobel da Paz ao qual foi candidata, na década que se finda. Mas, seu trabalho já se reproduz nas Américas, África e Ásia.
O Brasil vai sentir sua falta. O Mundo vai sentir, também. Desejemos que a estrutura por ela montada continue e reproduzir seu trabalho, sua missão. Morreu uma guerreira brasileira, em pleno combate. E morreu porque estava viva.
Nota: Fotos obtidas no Google Imagens

AGRADECIMENTO:

Aos amigos, de varias partes do mundo, que me apresentaram votos de condolência, na semana que passou, o mais sincero dos meus agradecimentos. Nessas horas de tristeza é bom saber que temos amigos e que eles se manifestam solidários com nossa dor e tristeza.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

TIME DESFALCADO

Dez filhos, dez irmãos de pai e mãe. Coisa rara, mesmo naqueles anos sessenta. Um time de futebol, diziam os amigos do meu pai, admirados pela coragem de sustentar uma tropa tão grande. O velho se orgulhava da prole e fazia questão de se vangloriar da “valentia” de haver constituído uma família tão numerosa.
Criar dez filhos, abrigar, dar de comer a dez bocas, vestir, educar, orientar na vida, vibrar, admoestar sempre que preciso, viver, reviver, curtir cada vitória, chorar cada derrota. Foram muitas emoções.
Meu Deus, que coragem! Pensava, eu mesmo, no posto de mais velho. O mais novo tem exatamente vinte anos a menos que eu. Os pequenininhos me confundiam: irmão ou pai?
Quantos sacrifícios, dinheiros curtos, tempos difíceis, muito trabalho. Muitas alegrias, também. Aniversários, quase todo mês, com direito a festa. Uma graça, esse “time de futebol” de Yôyô Brazileiro.
O velho Yôyô (apelido do meu pai, na intimidade) era o “goleiro”. Disso, ele fazia questão. No arco, não deixava nenhum adversário ameaçar e furar um gol que fosse. O “time” estava sempre afiado. Do infanto-juvenil ao grupo dos veteranos. A equipe não parava e sempre trabalhava para construir a vitória, isto é, o futuro.
No comando, a técnica/treinadora, D. Margarida, mulher disposta, decidida em tudo e batalhadora – alma da equipe – incentivadora, estrategista, capaz de enxergar à distancia, o desvio ou moleza de algum dos “atletas”. Focava no cara (ou na cara) e descarregava o que ela costumava chamar de injeção de ânimo. Incansável, não “largava do pé”. A ordem era de nunca “pisar na bola” ou deixar a bola sobrar.
Deu certo. Saiu tudo como planejado. Filhos criados, todos formados.
O “goleiro”, é bem verdade, partiu cedo, corroído pelo maldito “alemão”... aos sessenta e seis anos. Não teve tempo de assistir partidas importantes do time que criou. Procurei substituí-lo no arco do gol. Não sei se o fiz bem, mas certamente contribui.
Nossa treinadora ainda viveu o suficiente para levantar a taça da vitória. No fim da vida, se enchia de orgulho e dizia ser mãe de dois economistas, dois engenheiros, dois dentistas, dois advogados e, de quebra, uma pedagoga e um administrador de empresas. “Dez filhos e todos formados e bem postos na vida!” E batia palmas, se auto-aplaudido. Valeu o esforço da técnica do time.
Técnica e goleiro jogando no time “lá de cima”, restou uma equipe órfã, mas bem posta nos novos e bons embates que a vida sempre impõe. Até hoje, vitórias são registradas a cada dia, agora com equipes ampliadas pelos netos e até bisnetos, que não perdem tempo em jogar um jogo bem jogado, no mesmo modelo de vovô e vovó. Uma cultura que passa de pai para filho.
Mas, quando tudo parecia ir tranqüilo, eis que, no primeiro dia deste 2010, ocorre um desfalque de peso no time: o “artilheiro” Gilsy, sem tempo de se despedir – jovem ainda – parte para a eternidade, provocando uma baixa irrecuperável na equipe! Perdeu o fôlego, tombou no meio do campo, fechou os olhos para nunca mais abrir, deixando os demais membros da equipe atônitos e paralisados, tentando entender o fato estranho para o grupo. Inacreditável. O socorro entrou em campo, o coração deu três paradas e, a cabo de pouco tempo, parou de bater. Foi-se embora um dos goleadores da equipe. Aliás, um atleta que, no dizer dele próprio, era do “estopô-balaio”. O que é isto? Não sei. Aparentemente, significa algo “duca”. E duca, todo mundo sabe o que significa.
Éramos dez, agora somos nove. O time vai continuar jogando, é claro. Mas, sentido a perda irreparável. Aos poucos a equipe se renova, porque a vida continua.
Descanse em paz meu irmão querido. Lembranças ao valente “goleiro” e à nossa querida e inesquecível “treinadora”!
Estamos sofrendo pela sua partida, mas, isto também é viver.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Mensagem de Amizade


Amigos e Amigas,

Hoje eu teria vários temas para nosso bate-papo semanal: Cúpula Mundial sobre o Meio Ambiente, que terminou em fracasso e mais para esquecimento global do que aquecimento global; os fuxicos políticos da semana e o imenso sucesso do Festival Internacional da Musica Clássica - Virtuosi 2009, no Recife, entre outros.
Mas, preferi fazer uma pausa para falar de Natal e Ano Novo.

Antes porém cumpre lembrar que fico imensamente grato a todos que me acompanharam através do Blog do GB, durante o ano que termina, quando o blog completa exatos dois anos. Grato, particularmente, pelos comentários e pelos constantes incentivos que alimentaram meu desejo de cumprir a agenda semanal, buscando temas e fazendo fotos para tornar este espaço atrativo e vivo.


Que Deus, em sua infinita bondade,

abençoe e encha de paz nossos corações,

não apenas na noite do Natal

do seu Filho, Jesus Cristo,

mas todos os dias de 2010.

FELIZ NATAL E VENTUROSO ANO NOVO!

Um beijo fraterno no coração de cada um de vocês, meus amigos e amigas!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Riscos da Copa Brasileira

A ficha anda caindo por todos os lados. Falo da conscientização brasileira a respeito do evento Copa do Mundo 2014. Quatro anos passam num “piscar de olhos”. Sobretudo levando em conta os preparativos necessários, num país como o Brasil.
O recente sorteio das chaves para a Copa da África do Sul, os alertas que vêm sendo dados a respeito das dificuldades que os sul-africanos andam administrando e os ensaios de preparação que se esboçam no Brasil, já deixam meio mundo preocupado com o corre-corre que o evento poderá gerar “aqui em casa”.
Semana passada, por dois momentos, tive oportunidade de discutir o tema. No primeiro, numa plenária do Rotary Club Recife Casa Amarela, a questão foi exposta, de maneira ampla, por um especialista em turismo. Tratou da questão apontando as necessidades urgentes e as prováveis repercussões positivas para nosso país, enfatizando a exposição na mídia mundial, que, dependendo da nossa competência em vender nosso produto turístico, significará uma cartada decisiva para a consolidação do Brasil na rota do turismo internacional.
Na segunda ocasião, para minha surpresa, foi com um motorista de taxi – meu conhecido – que aproveitou o percurso que fizemos, para me pedir conselhos sobre o que fazer na ocasião da Copa, porque, segundo ele, não vai querer perder a “boquinha” de faturar uns dólares. Ele tem consciência de que pode ocorrer um grande movimento de turistas, decorrente da chave do Recife. “vai ter nego querendo ir aos jogos naquelas lonjuras da cidade da Copa, mas, com certeza, vai ter algum sujeito que vai me pedir para ir às praias, restaurantes, mercado, boates, Olinda e outros lugares. Como é que eu vou me comunicar com essa gente?”
Minha opinião a respeito do assunto é muito ambígua. Explico: acho ótimo que o Brasil seja sede de uma Copa do Mundo, como já foi em 1950. Mas, o mundo mudou e o campeonato propriamente dito mudou de figura. É mais grandioso e mais massificado, graças às facilidades da comunicação moderna. Nem se compara com o de sessenta anos atrás. Ao mesmo tempo em que folgo em ver uma Copa do Mundo, ao meu alcance sem sair daqui, sinto uma profunda preocupação com o que se vai oferecer ao visitante. Como vamos preparar este “imenso continente” para receber contingentes de turistas torcedores dos times que disputarão a Taça?
Há uma imensa diferença em fazer uma Copa num país europeu, por exemplo, rodeado pelo maior número de países que geralmente participam do torneio e fazer cá na America do Sul e num país tão extenso. Pior: num país sem a infra-estrutura adequada para atender às necessidades dos torcedores. Imagine o país, a cuja equipe toque jogar partidas em lugares distintos e distantes. O que vai acontecer quando seus respectivos torcedores procurarem meios de locomoção? Será que, daqui para lá, vão dotar este país de meios de transportes suficientes, seguros e operando a contento para atender a demanda. Temos poucos aviões, com passagens caras. Não temos rede ferroviária como a Europa dispõe, o transporte rodoviário é a desejar e também caro, as rodovias são vergonhosas e, sobretudo, perigosas. Como vai ser? Eis aí uma pergunta que não cala!
O taxista lembrou, preocupado, que se no sorteio de definição das chaves, que só vai acontecer no final de 2013, cair, para o Recife, times como da Coréia, Japão, Rússia ou Alemanha, a confusão vai ser grande demais. Ele tem razão. Num país com dimensões continentais e uma população que, na maioria esmagadora, não sabe o que significa cruzar uma fronteira e muito mal fala português... Sei não.
Faço idéia do que pode ocorrer em localidades mais remotas como no Mato Grosso e no Amazonas. Não vai ser fácil.
Resta muito pouco tempo para preparar este país para o evento. Se houver dinheiro e competência a Copa do Mundo pode mudar a cara do Brasil. Vou torcer que isto aconteça. Se a coisa não se der em bons termos, adeus turista internacional... o risco é grande!

NOTA: Imagem obtida no Google Imagens

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Portal da Aparência.

Esta semana andei lembrando muito do meu finado pai, diante da onda de roubos escandalosos dos políticos brasileiros. Eu era garoto de tenra idade, mas muito atento aos comentários dos adultos, e recordo bem da revolta do velho com a roubalheira que se dava – menos divulgada, é verdade – nos vários níveis de governo do país. A coisa me parecia mais séria, para não dizer catastrófica, quando olhando para mim, ele previa um quadro sombrio e incerto para as gerações futuras. “Aonde este país vai parar e que futuro terão esses meninos?” Aquele dedo, apontando na minha direção, representava uma tremenda ameaça.
O tempo passou, as coisas não mudaram, caiu governo, os militares tomaram o comando da nação, eu cresci física e intelectualmente, meu pai continuava a esbravejar, defini meu caminho profissional e a incerteza persistia. Onde vamos parar? Eu mesmo perguntava aos meus botões.
Restaurou-se a democracia e aí, ciente do conceito desse tipo de governo, pensei que a coisa seria mais honesta e sabida por todos. Que nada! Veio o Plano Cruzado, o “descruzado”, planos em cada estação do ano, dos quais lembro bem de um tal de Plano Verão. Tem coisa mais prosaica do que isto? Foi uma roubalheira coletiva. Todo mundo foi ludibriado. Ainda hoje tento resgatar meu dinheirinho perdido, nessas brincadeiras de governar.
Quando Collor assumiu, prometendo seriedade, transparência e progresso, começou afanando meus trocados restantes e me deixou com míseros cruzeiros na conta bancária. Tudo pelo bem da Nação. Achando pouco “guardou” minha suada poupança, devolvendo muito tempo depois, aos poucos e sem o valor original. Eu quase morro de um colapso cardíaco. Por azar, eu havia vendido um imóvel para adquirir outro maior, já apalavrado e o dinheiro da venda foi parar no saco sem fundo do Governo. Nas mãos de PC Farias! Não pude esquecer as palavras do meu velho pai e foi inevitável deduzir que por aquele caminho elles iriam me aniquilar.
No Governo FHC, fui garfado com meu salário de funcionário publico congelado ao longo dos oito anos. Corri e me aposentei – por sorte – para trabalhar noutras frentes.
Mas, como mudanças ocorrem, assume o tido como Salvador da Pátria, Luis Inácio Lula da Silva. Não posso negar que alimentei alguma esperança, mesmo sem lhe haver dado meu voto. Pensei que, quem combatia, a vida inteira, a corrupção e os corruptos, tinha obrigação de implantar um Governo moralizado e honesto. Por essa cartilha não haveria espaço para roubos, Caixa 2, tocos, propinas e similares.
Para minha surpresa, estourou a “bomba” mais destrutiva de todas. Roubavam descaradamente e com uma avidez nunca vista. Falo do episódio do Mensalão. Quase morro de vergonha ao ver Lula dizer que isso era comum na política brasileira e que ele não sabia de nada. Na mesma época, causou espante – em nível internacional – a mais hilária das estratégias de roubo: o caso dos dólares na cueca do petista. Eu, por coincidência, estava na Itália e senti-me envergonhado, descobrindo que o assunto virou piada no mercado da palha de Florença. Encontrei um artesão brasileiro que cansado de não acreditar no Brasil, falido por conta dos planos mal sucedidos, produzia e vendia artigos de couro aos turistas na Itália. Quando tentei regatear o preço de uma peça, ele não teve dúvidas em me perguntar se eu não trazia alguns dólares na cueca. Levei na brincadeira, mas, cá pra nós, é lasca...
Atualmente, as coisas se multiplicam e se tornam corriqueiras. Coisa comum na vida brasileira. Tem dinheiro na cueca, nas meias, dentro das calças, nos panetones e onde couber, porque a grana, além de farta, corre fácil. Descaradamente se reúnem em círculos de orações para agradecer o roubo perfeito. Perderam completamente a noção de honestidade, vergonha e hombridade. Aqui no estado, andaram fazendo festejos de mentirinha e embolsando a grana. Meu pai tinha razão.
Nesse clima de perplexidade, ouvi na Hora do Brasil, propagandas e elogios ao tal de Portal da Transparência do Governo Federal, cujo objetivo é divulgar as contas dos Governos, evitando desvios e falcatruas com o dinheiro público. Promete ser o maior e o mais moderno instrumento contra a corrupção. Fui lá! Aparentemente é uma beleza. Mas, como entender tanta comilança, tantas propinas, tantos “pedágios” indecentes para aprovação e liberação de verbas?
Não acreditando no Portal, conclui que ele está mais para Portal da Aparência do que da Transparência. Ah! Meu pai! Que futuro posso garantir para os seus netos?

NOTA: Dessa vez não incluo fotos. As adequadas que encontrei são deprimentes. Melhor evitá-las

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...