quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Lado Perverso do Progresso

Pernambuco inteiro saúda os bons ventos do progresso que sopram a seu favor. Não se fala noutra coisa e as projeções são das mais promissoras. Navios, produtos básicos da petroquímica, aços planos, automóveis, geradores de energia eólica, fármacos e medicamentos, além de outros vários produtos alimentares e bebidas, são ou logo serão os principais itens da nova lista de produtos da indústria de transformação pernambucana. É, indiscutivelmente, um senhor upgrade no aparelho produtivo industrial local.
Na esteira desse progresso, as possibilidades de muitos e novos postos de emprego é uma realidade que, naturalmente, é também saudada com entusiasmo. Claro, porque numa região com altas taxas de desemprego, não poderia ser de outro modo. Há uma verdadeira euforia. Tem profissional que se refestela com o poder de escolher para onde ir, fazendo um verdadeiro leilão, num “quem dá mais?” Quem diria? Para completar, a mídia se encarrega de dar uma alavancada para algumas categorias, como é o caso dos soldadores metalúrgicos. Esses são poucos e demandados a peso de ouro. Já é sonho profissional de jovens que chegam ao mercado de trabalho.
Nesse dinâmico ambiente, são milhares de pessoas ( somente no Estaleiro Atlântico Sul e na implantação da Refinaria são, em números redondos, 35.000) na maior parte homens, ocupadas nas obras de construções, instalações e nas linhas de produção já em funcionamento, ganhando salários diferenciados, incluindo os privilegiados que vêm de fora trazidos a propósito ou atraídos pelo novo “eldorado”. Pense no efeito que exerce esse exercito de homens jovens, forasteiros, cheios de saúde, relativamente endinheirados e dispostos a se esbaldar nos bares, baladas e lupanares regionais. Pronto! É aí que se revela o que eu chamo de “lado perverso do progresso”.
As municipalidades do Cabo de Santo Agostinho, Jaboatão, Ipojuca, Escada e Moreno – que fazem o entorno do Complexo Industrial de Suape – estão às voltas com problemas sociais sem tamanho. Esses homens trabalhadores – grande parte itinerante – tiraram o sossego das famílias locais. Estão promovendo a maior onda de prostituição adulta e infantil. A coisa tomou conta daquele território e promete se radicar. Jovens garotas de menor idade e totalmente despreparada se entregam, alegremente, aos prazeres do sexo, por um trocado qualquer ou, mesmo, por diversão. O resultado mais tangível são as centenas de garotas, nem bem saídas da infância, grávidas e mães dos já chamados “ filhos de Suape”. Imagine, minha gente, que para abalar a galera e ganhá-la de cara, eles fazem questão de desfilar nos points da moda, fardados com visíveis logos das construtoras que os emprega ou, por exemplo, de EAS e Petrobrás. Vaidosos pelo papel que desempenham vão à loucura, quando disputados na tapa. Posam de “tônemaí”. Enfim, são aventureiros profissionais. Hoje aqui, amanhã bem distante... Doloroso! Haja perversidade.
E as autoridades? Estas, pelo visto, ou são míopes ou fazem vista grossa para o problema, muito embora que alguns partidos políticos (PSTU, por exemplo) se mobilizam para discutir a questão em audiências publicas. A imprensa já se deu conta dessa preciosa pauta. O Diário de Pernambuco, por exemplo, registrou em matérias, no mês de maio passado, resultados assustadores de uma pesquisa de campo, sobre o tema. A Universidade de Ferrara (Itália) também fez de Suape um caso de estudo, trazendo alunos de mestrado em Planejamento Urbano e Desenvolvimento Local, que escancararam a situação. Aliás, está aí um excelente tema de estudo para os pesquisadores de plantão, assim como para dissertações e teses de mestrados e doutorados.
Vai ser difícil contornar o desafio, mas, um trabalho social tem que ser urgentemente implementado junto às famílias e escolas publicas de primeiro grau, onde está a população mais vulnerável.
NOTA: As fotos foram colhidas no Google Imagens.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A União (sempre) faz a Força.

Duas semanas atrás, comentei – constrangido – sobre a situação difícil pela qual passa hoje o Estaleiro Atlântico Sul - EAS, diante dos atrasos e complicações para concluir e entregar sua emblemática primeira encomenda, o petroleiro João Cândido, lançado ao mar açodadamente, em maio do ano passado (07/05/2010). Dada a delicadeza do assunto, tive o cuidado de restringir a circulação da postagem apenas num grupo selecionado de pernambucanos ou pessoas ligadas ao tema e defensores de Pernambuco. A razão foi bem simples: preservar a boa imagem que o estado goza nos ambientes externos, do Brasil e do exterior.
Quando tomei esse cuidado, quis deixar, nas entrelinhas, uma mensagem de que se trata de um assunto do interesse de um grupo particular e capaz de fazer algo em defesa do projeto, que representa a alavancagem da nova indústria local e, ao mesmo tempo, a retomada da indústria naval brasileira. Acredito que ninguém discorde...
Claro que o assunto já vazou, Pernambuco afora, e a grande imprensa nacional (O Estadão, em 28.05, por exemplo) explorou o caso, repercutindo negativamente aqui e alhures. Outros veículos vêm fazendo o mesmo, o que é extremamente negativo.
No final daquela postagem desejei que o problema fosse resolvido o mais rápido possível, à medida que entendo (meio mundo pernambucano também entende) que a solução será fundamental para consolidar o EAS, o novo Pernambuco industrial que se constrói e a própria nova indústria naval nacional.
Ocorre, porém, que o assunto já roda em comentários, críticas e, até mesmo, em "campanhas" perniciosas – notadamente a partir das falanges políticas opositoras – o que pode ser catastrófico para o estado. Lamentavelmente, nada a estranhar para quem conhece a típica cultura politiqueira local. O que faz medo é que logo, logo, comecem a aparecer discursos desfavoráveis de concorrentes cariocas e paulistas ou gaúchos e catarinenses. Aí, sim, a coisa vai pegar
É preciso que haja, urgentemente, uma campanha de conscientização geral por um discurso uniforme, de preferência padronizado, que seja feito por todo e qualquer pernambucano – independente da matiz política – em defesa urgente, não apenas do Estaleiro, mas da nova industria naval, da de Petróleo e Gás e a Automobilística, enfim, do novo Pernambuco que desponta. Mais do que nunca, cabe o clichê de que “não podemos perder a chance que se abriu agora”, caso contrário, seremos condenados a uma definitiva estagnação. É agora ou nunca, minha gente!
As lideranças políticas estaduais devem esquecer – ao menos momentaneamente – suas diferenças ideológicas ou eleitoreiras e de mãos dadas defender, com “unhas e dentes”, como se dizia antigamente, esse projeto naval âncora do nosso novo estado industrial.
Nesse ambiente de união, vamos esquecer o, já distante, 7 de maio de 2010 e o palanque eleitoreiro montado na ocasião. Vamos esquecer as falhas e defeitos estruturais do João Candido. Vamos esquecer, também, que a construção do navio foi simultânea à construção das instalações do estaleiro. Chega de desculpas e de acusações. Que cessem o caçar bruxas. Ao invés disso, vamos enaltecer o esforço que se faz de corrigir as falhas e de entregar o navio pronto e apto a singrar os sete mares, com bandeira brasileira tremulando e enchendo o peito do pernambucano, ao dizer: isto é um produto de Pernambuco, construído com suor nordestino.
Pelo menos dessa vez, sejamos cidadãos politizados, de primeira categoria. Será um bom exercício, lembrando sempre que é a “a união que (sempre) faz a força”.

NOTA: Não é preciso foto ilustrativa.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Perseguição Vulcânica

Neste fim de semana passado, tomei uma decisão: toda vez que me programar para uma viagem ao exterior, consultarei antecipadamente os centros sismológicos da região destino. Claro! No ano passado “arrastei” as malas do aeroporto do Recife para casa, devido à violenta erupção do vulcão Eyjafjallajökull (duvido você acertar a pronúncia), na distante Islândia. (Para saber mais clique em: http://gbrazileiro.blogspot.com/2010/04/arrastei-mala.htm ). Naquela ocasião, perdi compromissos na Alemanha. Esta semana, para minha surpresa, deixei de ir a Buenos Aires (Argentina) por conta de outra erupção vulcânica, desta vez no Sul do Chile. Outros compromissos foram perdidos. O Puyehue Cordón-Caulle acordou “mal-humorado”, de longo sono e entrou em atividade, espalhando lavras, fazendo chover pedras incandescentes e levantando uma descomunal nuvem de cinzas vulcânicas, a uma altitude média de 10.000 metros, inviabilizando o tráfego aéreo no chamado Cone Sul do continente.
Desapontado com a repetida frustração por conta de vulcões, não tive dúvidas em concluir que eles estão me perseguindo. Já pensou? Estou convencido de que venho sofrendo uma perseguição vulcânica... só pode, gente!
Só que, dessa vez, tive um pouco mais de percalços porque ainda cheguei a deixar o Recife, pronto para uma conexão imediata em São Paulo, o que não aconteceu. Ao invés de tangos e malbecs fiquei, na companhia da minha esposa e meu filho, vagando na apática cidade de Guarulhos, por dois dias. A expectativa foi grande nessas 48 horas. Ficamos de olho na meteorologia que sempre apontava para o pior.
E olha: assim como nós, havia um monte de gente na mesma situação. Eram brasileiros, argentinos, uruguaios, chilenos, europeus, entre outros, numa verdadeira babel. Aeroporto de Cumbica “botando pelo ladrão”. Cervejarias e lanchonetes precisando reabastecer os estoques a cada duas horas. Gente espalhada pelas poucas cadeiras e chãos disponíveis. (Veja as fotos que fiz, a seguir). Os banheiros, meu Deus, eram verdadeiros pântanos. Crianças e velhos em estado de desvalidos. Teve nego que varou a noite, pelos cantos. Pense no caos daquilo lá, no sábado pela manhã. O que antes era um tranqüilo e eficiente aeroporto (ou parecia...), lembrava mais uma estação rodoviária de baixa categoria e numa remota cidade de interior. Naquelas horas de aperto, todo mundo perguntava: e na Copa do Mundo? Se der algum tilt extemporâneo desse tipo, o bichovaipegar... Ah! Vai sim. Eu só sei que voltar para casa que, aliás, conseguimos, foi um alivio. Recuperar as bagagens, no Recife, foi, para mim, uma sorte grande. Hoje é segunda feira (13) vi no noticiário matinal da TV que os céus continuam fechados pelas fumaças e não sai nem chega avião para/de Buenos Aires, Montevidéu ou Santiago do Chile. Aliás, o problema já afeta os vôos para Austrália e Nova Zelândia. P#@@a...
No meio disso tudo, como bons brasileiros e cheios de alto astral, não perdemos tempo e logo nos enturmamos a outros “perseguidos” pelo vulcão, formando uma patota bem humorada e curtidores da vida. Uma espécie de MSV – Movimento dos Sem Vôos. Na primeira noite, 5ª. Feira, no refugio de um hotel de Guarulhos, longe dos Jardins e de um salão tipo Parigi ou Gero, mandamos ver bons vinhos italianos, para regar e tolerar um cardápio de baixíssimo padrão e, por supuesto, molhar as palavras das nossas conversas, com animado grupo (médicos paulistas), até o cair da madrugada. Vulcão, viagens, enfermidades, filhos, romances, empregadas domésticas espirituosas ou ignorantes, vida, entre outros assuntos surgiram seguidamente, forjando, aos poucos, uma “amizade de infância”, neutralizando a frustração de não viajar. Nossa farrinha foi a melhor maneira para recuperar o bom humor, perdido nas salas do Aeroporto de Cumbica.
Como no ano passado, na Europa, o atual caos aéreo latino-americano, faz a festa dos que operam no setor dos serviços das cidades afetadas. Em São Paulo, por exemplo, os hotéis, restaurantes, lanchonetes, comércio, taxistas, locadoras de veículos, boates, casas de massagem, serviços de acompanhantes para executivos, bordéis, botecos e, enfim, tudos que ajudam a matar o tempo, estão rindo à toa. A Terra treme, vomita fogo e baforadas de fumaça e a “macacada” se vira como pode. Não sobrou uma cama de hotel ou motel da cidade. Alegria geral! Menos, naturalmente, nos balcões das companhias aéreas, onde os atendentes sofriam com as exigencias dos “perseguidos” mal-humorados.
Para terminar meu papo semanal, lembro que das crises surge o progresso tecnológico. Por isso, estou seguro de que, muito em breve, aparecerão aeronaves resistentes às prejudiciais cinzas vulcânicas. Quem viver, verá.

Nota: As fotos são da autoria do Blogueiro

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Parto Pré-Maturo

Passei uma semana pensando: comento, não comento, comento... Bom, comento. A decepção que hoje sinto é tão intensa, quanto foi a alegria de ver, de perto, o alvorecer do projeto do Estaleiro Atlântico Sul - EAS. Na época, fazendo parte da equipe de Governo Estadual, aquilo foi o que se pode classificar do máximo, numa administração. Renascia a indústria naval brasileira e num sitio pernambucano. Ponto para o nosso trabalho.
Passados os últimos quatro anos, período no qual acompanhei, a uma distancia regulamentar, o processo de implantação da planta naval, comecei a escutar rumores de problemas no projeto. Aliás, numa das minhas últimas postagens, quando critiquei a péssima situação de acesso a Suape, recebi um comentário anônimo com pesada denúncia à gestão do Estaleiro. Embora não tenha – por principio – o hábito de publicar comentários anônimos, abri uma exceção e deixei registrado aquele. Tudo por conta da gravidade da coisa que era apontada.
Ocorre, porém, que a situação vem assumindo proporções lastimáveis e no, último sábado (28/05/2011), o jornal Estado de São Paulo publicou uma matéria, no mínimo, assustadora. Sob o titulo de Petroleiro está “encalhado” há um ano, o respeitado jornal paulista (isso é que é de lascar!), escancarou o quadro de dificuldades e deixou a turma da Ilha de Tatuoca - site do Estaleiro - em palpos de aranha. Tiveram que se explicar... O pauquebrou nas costas dos executivos recentemente dispensados e mandados para casa. São todos paulistas. O projeto está agora nas mãos de novos executivos postos lá pelo Conselho dos Acionistas (Camargo Correia, Queiroz Galvão, PJMR Empreendimentos e Samsung Heavy Industries). A situação, atual, no EAS é de encontrar a adequada solução de continuidade.
Voltando aos primeiros dias do mega-projeto, recordo bem que, quando tudo era apenas uma área em terraplenagem, já se falava para a entrega do primeiro navio, num exíguo tempo, se não me falha a memória, de pouco mais de dois anos. Embora incrédulo, a idéia enchia-me de orgulho porque imaginava que o Brasil e, em particular, Pernambuco ingressava numa era de inédito e fantástico desenvolvimento tecnológico. Puro engano. Estava claro que não era possível. Tecnicamente impossível. O lançamento do primeiro navio – o João Candido – previsto para 2009, só foi açodado e indevidamente lançado ao mar em 7 de maio de 2010. Aliás, embora estivesse por lá, não vi esse “empurrão” ao mar de Suape. Faltava alguma coisa. Não me

pergunte o que era? Quem sou eu para ter uma resposta dessas? No meio de um empurra-empurra de uma multidão curiosa de testemunhar o momento histórico, terminei levando um tombo e rachando a cara. Fui direto para a emergência médica. Mas, isto foi apenas um detalhe pessoal. Nada grave. Apenas um susto. No mesmo dia, a noite, embarquei para a Europa.
Resumo da "ópera": o João Candido foi um “parto pré-maturo”, com um feto mal formado e até hoje é mantido numa “incubadora”, tentando se salvar. A “parteira” responde pelo nome de Lula, ajudada por D. Dilma, numa das maiores manifestações de campanha política já registrada nas terras do Leão do Norte.
Agora, pensando bem, a culpa de tudo isso não foi somente dos executivos da época. Eles podem ter sido falhos, mas, analisando friamente, não podiam operar milagres... Acho que foi, muito mais, fruto de um planejamento falho e da uma Transpetro exigindo muito mais do que era possível de uma estrutura industrial em construção, secundada por uma voraz campanha eleitoral. Pense no que seja construir um navio imenso, no meio de uma construção civil e montagem de equipamentos, entre os quais os guindastes tipo goliath com 100 metros de altura e 164 de vão. Um mosntro que carrega 1.500 ton. de uma vez. Tá louco, meu...
Claro que pesou, também, a inexperiência local na construção naval, o começo de uso da estrutura industrial incompleta e a mão de obra adaptada na marra. A grande maioria oriunda do corte da canam, na Zona da Mata Sul pernambucana.
É uma lástima o que está acontecendo. Estou torcendo para que as coisas encontre os trilhos certos e o EAS amadureça e comece a desovar navios e plataformas no Atlântico, com cronogramas exequíveis e qualidade indiscutível. Este projeto tem que vingar e dar conta dos 22 navios petroleiros encomendados.
Contrariado vou fazer esta postagem. Logo eu que, entre outros, fiz o maior coro de propaganda, no meio do mundo e aos quatro ventos, desse belo projeto. Vejo que, nem todo belo projeto é viável como desejado e a tempo. Essa "criança pré-matura" tem que ser salva rapidamente, para garantir credibilidade ao EAS.


NOTA: Foto tirada no Google Imagens

terça-feira, 31 de maio de 2011

PAVOR E EUFORIA

Estou em São Paulo. O propósito desta a viagem é o de participar da Feira Internacional Máquinas e Ferramentas – FEIMAFE 2011 que, a cada dois anos ocorre, no Pavilhão do Anhembi, reunindo produtores de maquinas e ferramentas, nacionais e estrangeiros, destinados a vários segmentos da produção industrial. Minha missão é de trabalho, na Comitiva do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Pernambuco - SIMMEPE, onde atuo como Executivo.
Percebe-se claramente que o bom momento econômico brasileiro (?) torna este já tradicional evento ainda mais pujante. Circulando pelos corredores da exposição ouvem-se idiomas das mais diversas procedências. Durante uma semana são dadas a conhecer os últimos lançamentos tecnológicos atraindo as atenções dos visitantes e compradores ávidos por novidades e dispostos a dar um upgrade nos seus processos produtivos. Aqui, é tudo gigantesco a começar pelo volume de público que acorre ao pavilhão de feiras expondo, vendendo, comprando ou, simplesmente, visitando. É obvio que o volume e valores de negócios que são realizados são evidentes. São mais de 1.300 expositores. Na última edição (2009) foram 1.300 expositores – 49% dos quais eram estrangeiros – em 72.000 m² e quase 68.000 visitantes. Para este ano estima-se que sejam 80.000. É muito, não é?
Mas é importante registrar que, por trás dessa grandiosidade toda, trava-se uma acirrada guerra de concorrência – muitas vezes desleais – entre os expositores, na qual os brasileiros vêm perdendo posição a cada embate. Há uma inquietação, sem tamanho, dos produtores de máquinas e ferramentas made in Brasil que, aliás, já sentem perder a guerra, dentro de casa. E aí, o fantasma da desindustrialização toma vulto e instala um tremendo estresse.
Também, pudera, os chineses estão concorrendo cada vez mais e com maior voracidade, inclusive com mais qualidade, ao contrário do que ocorria historicamente. Ninguém consegue abatê-los. Nessa mesma onda, outros players estão surgindo com vontade de conquistar mercados. Já dei de cara comas presenças de turcos e indianos, que descobriram o caminho das pedras e deitam e rolam no ascendente mercado brasileiro, com incríveis vantagens no jogo da concorrência. Isto, sem falar dos italianos, alemães, holandeses, norte americanos, entre outros. É aqui, seguramente, que se entende bem melhor o nefasto efeito do Custo Brasil. Do jeito que vai, já, já, a “vacavaiprubrejo”. Deus nos acuda! E D. Dilma abra os olhos! Fiquei muito impressionado com duas afirmações de empresários brasileiros expositores: o primeiro foi taxativo ao declarar que “pra poder competir, fiz parceria com um produtor chinês, que agora fabrica minhas máquinas – lá mesmo na China – taca minha grife e manda pra cá e eu vendo”. Ou seja, o cidadão virou um simples comerciante de máquinas supostamente fabricadas por ele. E os empregados da antiga produção, aqui no Brasil, foram pra rua. É danado... O segundo empresário mostrou-me, na ponta do lápis, que uma máquina turca chega ao Brasil pelo equivalente médio de 70% da nacional e a chinesa cai para 30% do valor da similar nacional. É de lascar... Aonde vamos chegar? Se as reformas prometidas pelo Governo demorarem mais, a indústria nacional pode mergulhar numa profunda crise. Ou, até, se acabar!
Já o setor dos serviços, nessas horas de feiras, aqui em São Paulo, dão uma empinada que nem pipa (papagaio) no mês de agosto, na praia de Boa Viagem. Estão acontecendo, simultaneamente, três grandes feiras aqui na cidade, inclusive a de equipamentos hospitalares, atraindo multidões e movimentado o chamado turismo de negócios. Não restou uma só vaga nos hotéis locais. Conheço gente que comprou passagem aérea e não achou hotel. E olhe que São Paulo conta, segundo a Agência Brasil/ABIH, com 105 Mil leitos de hotel. Os serviços de montagem dos estandes das feiras, alguns são extravagantes (vide, a seguir, foto de um com 1.200m²) e os serviços de buffet
fazem girar verdadeiras fortunas. Os restaurantes e bares estão sempre apinhados de clientes. Os mais conhecidos impõem filas de espera de mais de uma hora. Locadoras de automóveis, comércio em geral e, inclusive, a prestação de serviços de escorts para executivos estão bombando. Mais alegres do que pinto ciscando no curral.
É isso aí: no setor Industrial grande pavor. No setor dos Serviços grande euforia. Êita Brasil. zil, zil.
NOTA: Esta postagem foi redigida em S. Paulo no último fim de semana. As fotos são do Blogueiro.

sábado, 21 de maio de 2011

QUEDA LIVRE DA EDUCAÇÃO

O repentino enriquecimento do Ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que multiplicou vinte vezes, em quatro anos, seu patrimônio pessoal foi, certamente, mais um caso estarrecedor nesta republica petista. Revoltante, porém recorrente. A coisa está se cristalizando de modo escancarado, descarado e cinicamente. Com maioria no Congresso, o Governo "deita e rola" fazendo vista grossa para com a revolta da Nação. Nem quero comentar mais... Sinto asco.
Prefiro comentar outros dois fatos que, para mim, marcaram a semana do brasileiro. Refiro-me a dois episódios no campo da Educação, que, indiscutivelmente, é um dos mais esquecidos, ao longo de décadas, dada a irresponsabilidade governamental, de todos os níveis.
O primeiro fato ocorreu no Rio Grande do Norte, quando participando de uma audiência publica a professora Amanda Gurgel, teve concedida a palavra e na sua analise teceu as criticas mais severas e, sobretudo, corretas ao sistema educacional estadual. Se você ainda não assistiu ao vídeo publicado no YouTube, sugiro que o faça agora. (Entre no YouTube e coloque no pesquisador: Professora Amanda Gurgel) Todo brasileiro tem a obrigação de ver aquilo. Brilhante seria pouco para classificar aquele ato. A moça foi desenvolta, lógica nas orações, excelente oradora, contundente, madura e, principalmente, corajosa. Deixou muitos parlamentares estaduais e a Secretária de Educação do Estado numa tremenda “saia justa”. Vai ser difícil sair da situação por ela criada. Salvo se forem cínicos ao extremo, ou irresponsáveis profissionais. É preciso frisar, nesta hora, que a denuncia da professora potiguar é valida para qualquer estado brasileiro. Quando ela afirma que não se respeita o profissional do magistério, ela se refere ao caso brasileiro, como um todo. É por isso, e por tudo que foi denunciado, que o ensino brasileiro é tão mal avaliado, no rank internacional. Espero que este episodio surta um bom efeito. Vide a expressão da professorinha, na foto a seguir. O outro fato marcante da semana, também na área da Educação, foi o da distribuição de livros didáticos, nas escolas públicas de primeiro grau, consagrando expressões e erros gramaticais como corretos e aceitáveis. Um verdadeiro atentado à cultura brasileira. O titulo do livro: "Por uma vida Melhor". Uma pouca vergonha. O conceito de melhor deve ter passado bem longe da cabeça da autora, uma tal de Heloisa Ramos, “abençoada” pelo Ministro da Educação. Segundo ela, o que importa é se comunicar. Pois sim... Essa Senhora devia ser banida, sumariamente, do domínio do magistério brasileiro e nenhuma editora devia abrir-lhe as portas. Mesmo quem considere que Herrar é umano, há de concordar comigo. Pense o que significa mais de 485 mil livrinhos desses, distribuídos pelo país afora. Deus nos acuda!!!!!! Para mim, esta é uma nova modalidade de crime que se comete contra a nossa já combalida educação publica. O povão fala errado, é verdade. Mas, consagrar esses erros, como corretos, é uma indignidade. Nosso idioma é uma dos mais importantes traços de unidade deste país continental. Preservá-lo, na sua melhor forma, é uma obrigação. Odeio quando vejo uma pessoa perguntar “tu viu?”, “tu quer?” ou “tu vem?”, ao invés, de “tu vistes?”, “tu queres?” ou “tu vens?” No tal livro didático distribuído pelo MEC tem uma frase que virou clichê da burrice institucionalizada: “nós pega o peixe?” É demais. Do jeito que a coisa vai, uma série de outras barbaridades será também consagrada. Quer ver uma coisa intolerável? Nos últimos tempos, fico incomodado com o uso do advérbio de lugar “onde” no lugar do de tempo “quando”? Estão fazendo isto a toda hora. Preste atenção e confira. Outro dia, ouvi de um professor, de prestigio e notório saber, a seguinte frase: “... e na próxima semana vamos assistir a uma palestra da famosa Professora Fulana, onde ela vai explicar...” Onde ou Quando?
Tem outra coisa errada e que é dita a toda hora: “... isto aconteceu em Recife” Em Recife? Errado! O correto é: no Recife. Ninguém, por exemplo, diz “...fulano está morando em Rio de Janeiro”. A regra é simples: quando a denominação da localidade for tirada de um acidente geográfico o certo é utilizar a contração da preposição em com o artigo a ou o. No Rio de Janeiro, no Recife, no Cabo de Santo Agostinho, na Bahia, na Ilha de Itamaracá e sempre que couber.
É uma pena que a nossa Educação continue em queda livre. Também, com esses paloccis no Planalto, vai ser difícil brecar a queda.

NOTA: Fotos obtidas no Google Imagens

domingo, 15 de maio de 2011

A Ponta de um Iceberg

O Titanic foi lançado ao mar em 1912. Era o que havia de mais moderno e luxuoso daquela época, quando viajar de navio era o must. O filme de James Cameron (1997) mostrou com competência plástica e efeitos especiais o que foi aquilo. Na noite de 15 de abril, daquele mesmo ano, na sua viagem inaugural entre os portos de Southampton (Inglaterra) e Nova York (Estados Unidos) foi de encontro a um descomunal iceberg (cume de uma montanha de gelo que se forma num oceano adentro) e afundou. A moderna tecnologia da época e a expertise dos navegadores não impediram que o rombo aberto no casco do transatlântico provocasse o desastre que, em menos de três horas, tirasse as vidas de 1.532 dos 3.547 passageiros daquela fatídica viagem. Uma tragédia que repercute até hoje.
Quase 100 anos depois, o nosso titânico Presidente Luis Inácio Lula da Silva, no peito e na raça, lançou o “transatlântico” Brasil no “oceano” dos esportes com destino ao porto das Olimpíadas de 2016, com duas importantes escalas na Copa das Confederações (2013) e na Copa do Mundo (2014). O barco Brasil partiu em meio a um retumbante foguetório e foi aclamado como um fato inédito. Na hora da partida, o Cara estava cercado da sua vassalagem que o aplaudia e beijava-lhe as mãos perfumadas com aroma de pré-sal e vestígios de petróleo, fato, aliás, cantado em prosa e verso da popa à proa e, naturalmente, do camarote Alvorada – o do Comandante – à Casa de Máquinas. Nem precisa ser dito que espocaram champãs no casco do “transatlântico”, até que acabasse o estoque do Alvorada.
Bom, o fato é que o barco vem navegando na busca do seu destino. Há um verdadeiro frisson no meio dos tripulantes e passageiros. A chegada em cada porto promete ser debaixo de comemorações sem igual. Fala-se de um maior espetáculo da Terra. Não sabem, porém, pobres coitados, que La Nave vem atravessado calmarias desanimadoras e tempestades ameaçadoras. Tudo quanto não foi calculado previamente, pelo Comandante e seus auxiliares. O mais provável é que a carta de navegação não tenha sido bem traçada. Fala-se que os tripulantes do navio são meio atabalhoados e traçam planos açodadamente, sem orçamentos suficientes ou cartas de navegação adequadas. Por conta disso já se fala, abertamente, que o navio pode encalhar sem encontrar os “ancoradouros/destinos”. Muitos, sequer saíram do papel, outros se revelam inadequados para receber a embarcação. O Brasil está perdido nesse oceano, no qual foi jogado. Os passageiros mais avisados estão inquietos e quase perdendo as esperanças de alcançar o destino.
Na semana passada, quando menos se esperava, o competente alto comando da navegação internacional, mais conhecido como FIFA, decretou, que o ancoradouro da localidade denominada de São Paulo fosse, sumariamente, excluída da trajetória que leva à escala de Copa das Confederações. Talvez, ainda vão estudar, permita a parada de 2014.
Enquanto isto, já tem nêgo disposto a correr ao Alvorada, o camarote do Comandante, para aconselhar, à vassala de plantão, um desvio da rota enquanto é tempo. Resta saber se o atual comando do barco Brasil vai se convencer. O orgulho irresponsável, aliado ao medo de perder a popularidade, não permitiriam voltar atrás. Afinal, como na Roma antiga, quem distribui pão, tem que oferecer circo. Doa em quem doer.
E tem mais: dizem que os portos da Germânia já foram postos de sobreaviso. Os integrantes do Comando FIFA estão intrigados com a calmaria reinante e consideram que a situação é bem pior do que se abateu sobre Mandela Land, quatro anos atrás. Danado mesmo é que não é somente na localidade São Paulo que os piers não saem do papel. A Nave anda perdida e não consegue vislumbrar os ancoradouros programados. Fala-se que entre esses há um, localizado num recife, que anda prestes a desaparecer do mapa. A água está tragando o citado acidente geográfico, por conta da inusitada má administração. Recife está se afogando aos poucos.
O caso do ancoradouro São Paulo – que foi uma imensa surpresa – pode ser, apenas, a ponta de um iceberg.
Sem me sentir integrante do Bloco das Cassandras, desconfio que, se o tempo não melhorar levando para longe as calmarias, a Nave pode mesmo não chegar. Rezemos para que não apareçam outros icebergs. Afinal, o Titanic afundou vitimando, somente, pouco mais de mil e quinhentas pessoas e o Brasil ameaça afundar com mais de cento e noventa milhões. Haja mares... e vergonha! meio chateado, porque adoro Copas do Mundo.
NOTA: Foto/Desenho obtido no Google Imagens.

Tropeços Diplomáticos

Por razões profissionais tive boas oportunidades de vivenciar e interagir com o meio diplomático brasileiro, bem como de outros países com o...